‘‘Não podemos tratar o alcoolismo em povos indígenas pela simples aparência. Temos que entrar no processo histórico’’. A afirmação é de Marlene de Oliveira, coordenadora de um seminário sobre alcoolismo e vulnerabilidade às doenças sexualmente transmissíveis DST/Aids, que acontece em Londrina até amanhã. Participam do evento representantes das regiões Sul, Sudeste e do Mato Grosso do Sul, que buscam soluções para o problema. No Brasil, são aproximadamente 300 mil índios, sendo 30 mil no Sul do País.
Marlene de Oliveira, que é da Secretaria Municipal de Ação Social, ressalta que é grave o problema do alcoolismo entre os índios e que esta situação teve início no século passado. Ela explica que antigamente os povos indígenas costumavam beber somente em ocasiões especiais, como ao término de uma colheita, e em cerimônias sagradas. ‘‘E eles consumiam bebidas feitas basicamente de mel, palmeira ou milho’’.
No século passado, os ‘‘homens brancos’’ começaram a introduzir alambiques de aguardentes nas reservas para poder conquistar e controlar os índios. Atualmente, o quadro é considerado bastante sério. ‘‘A dependência foi se instalando e, em função da bebida, ocorrem problemas como acidentes (índios que caem de pontes, por exemplo), homicídios e suicídios’’, relatou.
Segundo o administrador da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Londrina, José Gonçalves, o quadro no norte do Paraná não é tão grave. Nas cinco reservas, que reúnem 2,1 mil índios, o índice de alcoolismo fica abaixo dos 10%. Mesmo assim, ele considera importante o seminário para que possa realizar um trabalho preventivo.
Marlene de Oliveira ressalta que o objetivo do seminário, que está sendo realizado no Hotel Nóbile (área central), é formalizar propostas de intervenção e prevenção nos povos indígenas. Ela disse que, ao final do encontro, é que poderá dar detalhes sobre as propostas, mas adianta que um dos pontos a ser enfocado é a questão da educação - realizar trabalhos de prevenção junto às crianças, nas escolas.
A abertura oficial do evento aconteceu ontem, às 8 horas, com a presença do prefeito Antonio Belinati (sem partido) e o secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, entre outras autoridades. À tarde, foi realizada uma mesa-redonda sobre saúde e povos indígenas e feitos relatos sobre situação de alcoolismo entre os povos indígenas.
Os trabalhos hoje começam às 8 horas, com uma mesa redonda que discutirá o tema ‘‘Alcoolismo e Povos Indígenas’’. Estão participando conferencistas de vários Estados e também um pesquisador em Antropologia Médica da Universidade de Montreal (Canadá), Carlos Coloma.

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