Curitiba
Cerca de 200 dependentes químicos foram atendidos nos oito anos de funcionamento da Clínica de Recuperação Nova Esperança, em Curitiba. Desse total, 30% eram alcoólatras. ‘‘A idade dos pacientes com problemas alcoólicos tem caído a cada ano’’, revela o psicólogo e coordenador da casa, Celso Maçaneiro. Segundo ele, a grande oferta de bebidas seria o principal fator de estímulo ao consumo precoce.
‘‘O álcool é a porta de entrada para outras drogas’’, constata Maçaneiro. De acordo com ele, o adolescente bebe para ficar desinibido e encurta a distância que o separa de um cigarro de maconha, por exemplo. Foi o que aconteceu com R. Z., 24 anos, ex-viciado em cocaína. ‘‘Comecei a beber aos 15 anos e daí passei a cheirar’’, conta o jovem, recuperado depois de um ‘‘doloroso’’ tratamento de dois meses na clínica.
R. afirma que sofreu na recuperação devido a um sentimento de culpa muito forte. ‘‘Eu percebi o quanto a cominação de álcool e cocaína me afastou da família, dos amigos, da namorada, de uma profissão’’, desabafa. O rapaz veio do interior de Santa Catarina para conseguir tratamento e agora quer implantar o mesmo sistema da clínica na cidade onde vive. ‘‘É o meu projeto de vida’’, anuncia.
Maçaneiro diz que são necessárias várias medidas para conter o avanço do alcoól sobre os adolescentes. ‘‘O aviso quanto aos riscos do consumo devem aparecer nos rótulos das bebidas, com mais destaque até que nos maços de cigarro’’, sugere o psicólogo. Para ele, a fiscalização da venda de álcool a menores também precisa melhorar muito. ‘‘Falta ainda incrementar a prevenção na gravidez, pois o alcoolismo tem um componente genético’’, completa. Ele cita as consequências ‘‘biopsicosociais’’ do alcoolismo como alerta contra possíveis excessos. ‘‘O consumo exagerado é capaz de provocar cirrose hepática e degeneração cerebral, o que pode matar’’, lembra Maçaneiro.

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