O hebiatra Walter Marcondes Filho defende que os jovens sempre beberam desde cedo e que agora eles apenas se mostraram aos adultos. ''Quando lembro da minha adolescência, lembro de saber que colegas bebiam. Talvez hoje a quantidade de álcool ingerido seja maior. O que acontece também é que atualmente o número de brasileiros de 10 a 24 anos é muito alto no Brasil. São 52 milhões. Somado a isto, eles não precisam se esconder mais dos pais. Está tudo às claras''.
Nem por isso, o médico - que há 26 anos trabalha com adolescentes - vê a situação com tranquilidade. ''Sem dúvida o álcool pode alterar o corpo de meninos e meninas. Não vê as garotas com barrigas proeminentes? É reflexo desse consumo. Nos garotos, como estão em fase de produção intensa de hormônios sexuais, pode interferir nisto. Um caso grave pode ser de impotência''.
Marcondes defende que a urgência na relação jovens-álcool está no cumprimento das leis. ''Os jovens têm tendência à trangressão. Se não houver alguém para limitá-los, eles vão transgredir. Por isso os pais precisam colocar as regras. E a lei colocar os limites para os dois, pais e filhos''.
O médico também acredita que quem vende bebida a menores deve ser punido. ''Se os pais limitam, mas os bares vendem - e fazem isto perto das escolas, inclusive - fica difícil. A ação tem que ser integrada e a promotoria tem que ficar em cima''. (G.B.)

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