Álcool e desemprego motivam a violência Michele Muller De Curitiba O Dia da Mulher foi traumático para pelo menos dez vítimas da violência doméstica em Curitiba. Até o final da tarde de ontem, esse foi o número de pessoas que haviam registrado queixa na Delegacia da Mulher. A maioria apresentava lesões corporais e disse ter sofrido ameaça pelos maridos. Segundo a delegada Darli Rafael, a média de 15 mulheres atendidas por dia pelo órgão não dá noção de quantas realmente são espancadas em casa. ‘‘Existe uma mistura de sentimentos – como medo, vergonha e insegurança – que as impedem, em muitos casos, de tomar uma atitude. Mas cabe a elas decidir dar um basta nessa humilhação’’, diz Darli. Ela conta que algumas pessoas procuram a delegacia, mas não querem que o agressor fique sabendo de sua decisão. ‘‘Só que não podemos fazer registro sem ouvir a outra parte. Nós temos que intimar os homens a dar sua versão para que a ocorrência seja encaminhada ao Juizado Especial’’, explica. Em quase todos os casos, os agressores responsabilizam o excesso de bebida e o desemprego pela falta de equilíbrio no tratamento das mulheres. ‘‘Em muitos casos, essa violência acaba quando a vítima dá queixa’’, conta a delegada. Ela calcula que cerca de 40% das pessoas que se dirigem à delegacia pertencem às classes A e B. ‘‘Para se ter uma idéia, quase todas que atendemos trabalham fora. A violência acontece entre casais de todas as condições econômicas e todos os níveis de escolaridade. As mulheres de classes menos favorecidas têm mais presença na delegacia porque não têm condições de pagar um advogado’’, destaca Darli.

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