Álcool causa metade das mortes no trânsito
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 31 de julho de 2001
Telma Elorza<BR>De Londrina 
Mesmo com as frequentes campanhas de conscientização sobre o perigo de se consumir bebida alcoólica e dirigir, poucos motoristas revêem seus hábitos e os acidentes provocados por pessoas alcoolizadas continuam a acontecer. Dirigindo ou caminhando, quem bebe está sempre correndo risco de tirar a vida de outro ou a própria. No entanto, o pedestre é sempre a maior vítima em relação ao motorizado.
Às vezes, nem quem é responsável por repassar todas as regras de trânsito respeita a lei. Foi o que ocorreu em Londrina, com o instrutor de auto-escola José Aparecido da Silva, 39 anos, provocando um acidente grave ao dirigir alcoolizado. Ele atropelou Rosa Maria Junqueira Schiquitano, 53 anos, no último domingo. O carro dele, um Puma, atingiu a mulher quando ela saía de um veículo estacionado. O instrutor foi preso em flagrante e liberado sob fiança. O bafômetro registrou 0,8 grama/litro de álcool no sangue quando o máximo permitido é de 0,6 grama/litro.
Segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), o trânsito provoca cerca de 50 mil mortes anuais em todo Brasil. Destas, 50% são causadas por ingestão de álcool, que também resulta em torno de 20 mil feridos/ano. De acordo com as estatísticas nacionais, do total de mortos em acidentes de trânsito no ano passado, 53,8% estavam com o teor alcoólico no sangue maior que o recomendável. Este ano, nos quatro primeiros meses, o total de vítimas fatais alcoolizadas alcançou 40% do total de mortos por acidentes.
A Coordenadoria de Infrações do Detran/Paraná registrou no ano passado 2.621 infrações por direção sob influência de álcool em nível superior ao permitido, ou uso de entorpecentes. De janeiro a maio deste ano, as infrações chegaram a 850. Só em Londrina, foram registradas 123 infrações em 2000 e 40 neste ano. Segundo a Companhia de Trânsito (Ciatran) do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, em julho 11 pessoas foram flagradas dirigindo embriagadas.
Se o motorista alcoolizado tiver sorte e não causar um acidente, pode ter outras dores de cabeças: a infração rende multa gravíssima de 900 Ufirs (aproximadamente R$ 900,00), suspensão da carteira de motorista por até um ano e retenção do veículo. Além disso, o motorista responde a um processo criminal e pode pegar de seis meses a três anos de reclusão.
Apesar da gravidade, as multas relativas a embriaguez ao volante são as mais difícieis de serem aplicadas. Segundo policiais da Ciatran, não se pode obrigar ninguém a usar o bafômetro. Quem se recusa a fazer o teste, tem a suspeita anotada no relatório e é encaminhado a uma delegacia. Depois vai para o Instituto Médico-Legal fazer os exames necessários.


