Maigue Gueths
De Curitiba
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que em média 10% dos trabalhadores têm algum problema de dependência química, excetuando o tabagismo, que não está incluído nesta estatística. O alcoolismo é o maior fator de dependência entre os empregados, causando também à Previdência Social um grande prejuízo, já que é a terceira causa das licenças trabalhistas e de pagamento de benefícios.
Frente a esses números, as empresas adotam, cada vez mais, programas de prevenção e assistência aos já dependentes. Segundo a assistente social do Serviço Social da Indústria (Sesi), Elisabete Lima Borba, calcula-se que para cada US$ 1 gasto pelas empresas nestes projetos, elas tenham um retorno de US$ 6.
O próprio Sesi está desenvolvendo, em 14 estados, um Projeto de Prevenção ao Uso de Drogas no Trabalho e na Família. O projeto baseou-se em um modelo desenvolvido pelas Nações Unidas e está sendo implantado em três empresas de cada um destes estados, entre eles o Paraná. ‘‘O programa é essencialmente preventivo’’, diz Elisabete, lembrando que primeiro será feita um pesquisa nas empresas, depois elaborado o diagnóstico e aplicada a metodologia. O programa tem duração de 18 meses.
Também está chegando em Curitiba uma franquia da Vila Serena, um centro de tratamento de dependência química, existente há 18 anos no Brasil. Existem 15 Vilas Serenas no País, que atendem cerca de 100 empresas e têm em média 150 e 200 dependentes internados mensalmente. O programa adotado pela Vila Serena é uma adaptação do modelo Minnesota, que se baseia nos 12 passos sugeridos pelos Alcoólicos Anônimos (AA). Segundo John E. Burns, fundador e diretor dos Centros para Tratamento de Dependência Química Vila Serena, entre 30% a 40% das pessoas internadas por 28 dias ficam recuperadas. Mas a grande finalidade do programa é treinar pessoas dentro das empresas, para que apliquem seus métodos. Nas empresas, a recuperação fica entre 60% a 80%, já que o programa normalmente é levado por mais tempo.
Entre os pacientes, ele calcula que 20% são dependentes de álcool, 20% de drogas ilícitas e 60% de várias substâncias juntas. Do total, cerca de 80% são tabagistas. A maioria absoluta (90%) é do sexo masculino.

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