O Instituto Médico Legal de Curitiba realizou de janeiro a agosto cinco mil exames de alcoolemia, para detectar a taxa de dosagem alcoólica das pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, com vítimas fatais ou não. Dos exames realizados, 1,5 mil tiveram o uso de álcool comprovado, ou seja 30% dos acidentes de trânsito na cidade foram causados por motoristas embriagados.
Para conter os abusos, o programa ‘‘Cidadão em Trânsito’’, um esforço da Prefeitura de Curitiba e BPTran para melhorar o tráfego e a segurança dos motoristas, vai instalar a partir de janeiro de 1998 radares eletrônicos em 100 pontos da cidade e fotosensores em 30 pontos, a fim de flagrar motoristas que avançam o sinal vermelho e abusam da velocidade.
Os números registrados pelo Siate, em Curitiba, também são assustadores. São em média 35 atendimentos por dia de segunda a quinta-feira, chegando a 70 nos finais de semana. Dos acidentes ocorridos entre 23 horas de sexta-feira e seis horas da manhã de segunda-feira, cerca de 70% envolvem motoristas com sintomas de embriaguez.
Para o presidente do Tribunal do Júri de Curitiba, juiz João Kopytowski, uma lei mais severa vai inibir o comportamento de motoristas irresponsáveis. ‘‘É preciso que se faça cumprir a lei. Quando a lei não é cumprida ela não intimida ninguém’’, justifica. Segundo Kopytowski, aproximadamente 90% dos casos de acidentes de trânsito julgados, atualmente, no Tribunal do Júri, envolvem o uso de bebida alcoólica.
O novo Código Nacional de Trânsito, que entra em vigor em janeiro do ano que vem, vai limitar ainda mais o consumo permitido de bebida alcoólica. O índice tolerado cai de 0,8 gramas de álcool por litro de sangue para 0,6 gramas por litro de sangue. Esse valor significa dois copos de cerveja ou vinho ou duas doses de uísque para uma pessoa com peso de 60 quilos.
Segundo dados do Detran até 0,3 gramas de álcool por litro de sangue a pessoa não sofre nehuma alteração de reflexo, portanto não apresenta dificuldades para dirigir. A partir dessa taxa até 0,5 gramas por litro de sangue não há sinal clínico aparente, porém os gestos começam a sofrer perturbações. A sensibilidade visual e a percepção de visibilidade e distância diminuem. A partir de 0,5 gramas de álcool por litro de sangue o ato de dirigir já se torna perigoso.

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