Alcance social do estudo pode ser grande
Curitiba - O coordenador do Núcleo de Terapia Celular (NTC) da PUC-PR, o cardiologista Paulo Brofman, chama a atenção para a repercussão social desse tipo de pesquisa desenvolvida pela instituição. Ele destaca que hoje, no Brasil, estima-se que 240 mil novos casos de infarte ou qualquer outro processo inflamatório do coração devem ocorrer, comprometendo o bombeamento de circulação. Levantamentos apontam ainda que ocorrem cerca de 800 mil procedimentos de amputação no País, de qualquer tipo de membro.
''Imagine se a gente desenvolve uma terapêutica que consiga salvar 5% de todos os casos que terminariam com uma amputação, por exemplo? São 40 mil pessoas que seriam beneficiadas, além das próprias famílias. Sem contar o custo a menos de uma cirurgia de amputação para o Sistema Único de Saúde (SUS). Se a célula-tronco consegue amenizar ou diminuir a evolução da diabete, por exemplo, o quanto isto não traria de benefício social?''
Brofman explica que autorização para realizar exames com humanos deve sair em alguns meses. A ideia, porém, é fazer os testes ainda este ano. ''Solicitamos autorização para casos de membros inferiores e não em coração. São casos graves e sem outras opções terapêuticas, que estão caminhando para uma amputação'', explica.
O médico adiantou que outras cinco pesquisas estão em andamento na PUC-PR. A mais recente, segundo ele, se refere à implantação de células-tronco do próprio paciente, colhidas da medula óssea, que após cultivadas são injetadas via cateterismo nas artérias do coração.
A pesquisa está sendo feitas com dez voluntários e, segundo o médico, os resultados estão sendo favoráveis. ''Na fase 1 verificamos a segurança do procedimento, se a células não vão fazer mal ao paciente. Na fase 2 já começamos a observar o resultado de testes em um pequeno número de voluntários. E na fase 3 o procedimento é realizado numa maior quantidade de pacientes. Somente após as três fases é que recebemos a autorização para adotá-la em modo terapêutico.''
Em 2008, o Ministério da Sa© úde criou a Rede Nacional de Terapia Celular (RNTC), hoje com oito laboratórios cadastrados, entre eles o da PUC-PR. ''Temos os mais sofisticados equipamentos para comprovar a eficiência do estudo com células-tronco. Tudo começou em 2002, e agora estamos abrindo o leque para outros tipos de doenças, de articulação.'' (R.C.J.)





