Lúcio Horta
De Londrina
O Albergue Noturno Raul Faria Carneiro, localizado na Vila Nova, área central de Londrina, está com dificuldades para concluir uma reforma na estrutura física da sede. Com 45 anos de existência e construído praticamente sem colunas de sustentação, o prédio vinha apresentando diversos problemas, inclusive com riscos de desabamento parcial.
As reformas começaram há um mês, com R$ 20 mil cedidos pelo Programa do Voluntariado Paranaense (Provopar). Esse dinheiro, que inicialmente parecia ser mais do que suficiente para obra, acabou faltando. ‘‘É que a gente começou a mexer e novos problemas foram surgindo’’, explica Maria Júlia Dutra de Barros, vice-presidente da Sociedade Espírita de Promoção Social, mantenedora do Albergue.
Os principais problemas encontrados foram infiltrações e rachaduras em duas das paredes do reformatório, que ameaçavam desabar junto com o telhado. Além disso, o assoalho cedeu e as instalações elétricas e hidráulica terão que ser trocadas. Os banheiros, tanto da ala feminina quanto da masculina, também estão passando por reforma.
Ainda no início da obra, o albergue ganhou 60 sacos de cimento, todos já utilizados. Hoje ainda faltam pelo menos outros 50 sacos para dar conta do serviço restante. Maria Júlia estima que, somente com mão de obra, irá precisar de mais R$ 2 mil. Sem contar materiais elétricos, hidráulicos e a pintura total do prédio. ‘‘Mas a nossa preocupação, hoje, é pagar os pedreiros.’’
Outro problema é que quanto mais demora a conclusão da reforma, mais tempo as pessoas que procuram o albergue ficam sem atendimento. Por enquanto, somente as refeições estão sendo servidas, em média 40 por dia, a maioria destinada aos moradores de ruas, como os que vivem em ‘‘mocós’’ (imóveis abandonados utilizados como abrigo), alcóotras e viajantes.
Além desse pessoal, o albergue atendia cerca de outras 40 pessoas por dia, a maioria homens, que ganhavam banho, jantar, pernoite e café da manhã. Em dias de maior demanda, sobretudo quando chove muito ou faz frio, a procura pode saltar para até 70 homens, obrigando a distribuição de colchões pelos corredores. A capacidade total é de 60 vagas para homens e 40 para mulheres.
O público mais recorrente, acrescenta Maria Júlia, é composto pela população de rua não-alcoolizada; e pessoas de passagem pela cidade com consulta médica no Hospital Universitário (HU) ou Hospital do Câncer de Londrina (HCL), no período da manhã. ‘‘Por isso, até as pessoas das cidades vizinhas, que quiserem, poderão nos ajudar com a reforma’’, diz.
Além do albergue, a Sociedade Espírita também administra o Lar Gilda Marconi, que funciona num prédio anexo e atende 35 idosos durante 24 horas por dia. Por mês, o custo médio é de R$ 12 mil, incluindo farmácia, combustíveis e a folha de pagamento dos 18 funcionários, entre outras despesas. A renda vem dos bazares de roupa e móveis usados, contribuições de associações e da comunidade de forma geral, além da prefeitura, que paga 30% das despesas.
Serviço: Quem quiser colaborar com a reforma pode depositar qualquer quantia na conta 333-3 do Banestado, agência 337-8 (da Rua Guaporé); ou então ligar para o fone (43) 329-0137.Falta dinheiro para pagar mão-de-obra e cimento. Obra começou há um mês
César AugustoDEDICAÇÃODona Olinda Carneiro, a 1ª diretora, recorda histórias de vida e morte: experiências inesquecíveisReproduçãoO Albergue Noturno nos anos 50 e...César Augusto...hoje, o prédio que passa por reforma

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