Albergue é transformado em Lar dos Vovôs
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sábado, 11 de fevereiro de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Moradores mais tranquilos, mas que precisam de atenção constante. Esta é a nova realidade do antigo Albergue Noturno de Londrina, construído há 53 anos na Rua Araguaia (Vila Nova, Área Central), e há um mês transformado em abrigo de longa permanência, com o nome de Albergue Raul Faria Carneiro Lar dos Vovôs. A tradicional população de rua, que se dirigia ao local apenas para a pernoite, foi substituída por 30 idosos que moram no prédio. A mudança, segundo a direção da instituição, foi necessária por causa de transformações ocorridas no perfil do público do albergue.
''Nos anos de 2003 e 2004 passamos a receber basicamente usuários de álcool e drogas. As brigas eram constantes e passamos a ter muitos problemas com a vizinhança, que pedia o fechamento da casa. Só que não podíamos simplesmente fechar e ficar com toda esta estrutura ociosa, então resolvemos fazer adaptações para receber uma população de homens que aguardava moradia'', explica a presidente da entidade, Maria Júlia Dutra Barros. Até então, Londrina contava apenas com um asilo público, o São Vicente de Paulo (na Zona Sul).
Muitos dos antigos frequentadores do albergue foram incentivados a voltar para junto das famílias ou para as cidades de origem. Segundo Maria Júlia, que trabalhou como voluntária do albergue por mais de 20 anos, a rotina atual da casa é de menos apreensão, mas nem por isso de menos dificuldade. ''Antes nós abríamos o portão no final da tarde e não sabíamos quem iríamos receber. Hoje temos moradores fixos, mas isto também trouxe mais responsabilidades e mais despesas'', explica.
Remédios, materiais de higiene, fraldas, alimentação equilibrada e pagamento de funcionários são as principais despesas do asilo, que constantemente tem que fazer campanhas ou recorrer a colaboradores para levantar recursos. ''Temos um convênio com as Secretaria do Idoso, que nos repassa R$ 200,00 por mês por idoso, mas o gasto mensal com cada um fica entre R$ 680,00 e R$ 800,00, dependendo da quantidade de remédios e se eles são ou não conseguidos nos postos de saúde'', detalha Maria Júlia. Ela lembra, porém, que no caso dos idosos aposentados, 70% do benefício é revertido para pagamento das despesas.
''Cada dia é um novo desafio. Aprendemos a ir vivendo assim, resolvendo um problema de cada vez'', diz a presidente. Atualmente uma das grandes preocupações é conseguir recursos para pagar a manta antiderrapante que será colocada no chão do corredor que dá acesso à sala de TV e nos quartos, e os toldos que serão instalados nas janelas dos quartos. A despesa foi de R$ 6 mil, e considerada essencial para a segurança e maior conforto dos moradores. ''Assumimos a dívida, ainda não sabemos como vamos pagar, mas tenho certeza de que vamos conseguir'', afirma a presidente, lamentando não ter mais empresas parceiras da instituição para recorrer nas situações de sufoco.
Entre os moradores do Lar, a maioria vive alheia aos vínculos familiares. É o caso do ex-lavrador Moacir Moreira, de 68 anos, que passa os dias matutando uma forma de retornar ao interior de São Paulo. ''Minha família está toda em Taubaté. Eu vim sozinho, para trabalhar em uma fazenda, mas não deu certo, e agora não tenho como voltar'', conta Moreira, resignado. Enquanto isso, o seu dia-a-dia consiste em passar os dias conversando com os companheiros, vendo TV e fazendo ''um ou outro servicinho'' para ajudar da casa. ''Escrevi para meu filho, mas ele não tem como vir me buscar'', revela, ao final da entrevista.
Serviço: Interessados em ajudar o Lar dos Vovôs, que funciona junto ao Lar das Vovozinhas Gilda Marconi, podem ligar para (43) 3326-7004 ou 3028-0277.


