A descoberta de novas pistas sobre crianças desaparecidas provocam situações de estresse em suas famílias. Segundo Arlete Ivone Caramês, mãe do menino Guilherme Caramês Tiburtius, desaparecido em 1991, os parentes vivem numa eterna aflição e angústia, que cresce a cada nova informação, seja falsa ou verdadeira. ‘‘A gente nunca descansa e sempre fica em sinal de alerta, na espera de achar uma pista que leve ao nosso filho’’, descreve.
Arlete conta que a família dos desaparecidos acabam se tornando reféns das milhares de informações desencontradas. ‘‘Um novo dado surge, a esperança nasce e morre, oscilando entre a euforia e a depressão’’, comenta. Essa sensação piora principalmente com a maldade alheia. ‘‘Diariamente, as famílias dos desaparecidos recebem trotes de pessoas, afirmando conhecer o paradeiro das crianças’’, afirma. As denúncias falsas não se restringem apenas aos familiares, mas também são feitas ao Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), que ontem recebeu mais de quatro ligações falsas.
A mãe de Guilherme Tiburtius lembra que neste ano um homem ligou diversas vezes dizendo que sabia onde estava o filho, acusando uma terceira pessoa do sequestro do menino. Com esperanças, mas receosa em se decepcionar, ela investigou e descobriu que quem passa os trotes queria culpar um vizinho, envolvido em uma briga de bairro.

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