Alagamento fez município perder terra fértil, estradas e indústrias
Dorico da SilvaSem verdeMargem da Represa Capivara: prefeito de Primeiro de Maio diz que Cesp não replantou matas ciliaresO município de Primeiro de Maio (68 quilômetros ao norte de Londrina) foi o que teve mais áreas férteis alagadas com a Represa Capivara. Também é o único que possui uma infra-estrutura básica para o turismo no Norte do Estado. Isso se deve, segundo o prefeito Paulo Tódero (PSDB), ao governador Jaime Canet, que iniciou a construção do Terminal Turístico Paranatur, hoje rebatizado como Terminal Turístico de Primeiro de Maio. O município está localizado na junção dos Rios Paranapanema e Tibagi.
Com a Represa Capivara, Primeiro de Maio perdeu vários acessos a municípios vizinhos, que eram feitos por estradas hoje submersas, inclusive o contato direto com o Estado de São Paulo. Como consequência da falta de estradas importantes, Primeiro de Maio sente hoje o desaparecimento de indústrias e grandes empresas, dependendo do comércio local e da agricultura, maior fonte geradora de recursos.
O prefeito Paulo Tódero se diz confiante nas solicitações do consórcio para obter algum benefício no município. Perdemos muitas terras férteis e, atualmente, não temos atrativos para as indústrias. Não há estradas importantes cortando o município, ressalta. Tódero explica que Sertanópolis é o único dos municípios banhados pela Represa Capivara que está situado às margens de uma importante rodovia - a PR-323, que faz ligação com o sul do Estado de São Paulo.
Incentivamos o turismo ecológico, mas precisamos estimular a vinda de outras fontes de recursos, comenta o prefeito. Ele garante que há pontos do município que ficaram praticamente isolados, tendo que ampliar o percurso de saída em pelo menos oito quilômetros.
Perdemos muito da agricultura. Queremos somente que a Cesp nos repasse uma parcela para que possamos recuperar o tempo que foi perdido nestes anos, destaca. Na avaliação de Tódero, os prejuízos ambientais são muito fortes: matas nativas e a vegetação ciliar foram submersas. Há espécies de plantas que nunca mais vão ser encontradas porque foram perdidas com a represa. A Cesp não cumpriu o compromisso de realizar o replantio de matas ciliares, ressalta.
Uma das iniciativas da prefeitura para não perder tanto com a represa está na cobrança de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) das propriedades à beira do reservatório da usina. De acordo com o prefeito, a iniciativa serve para garantir, pelo menos, parte dos recursos aos cofres públicos com os loteamentos de chácaras de lazer à beira da represa.
No entanto, Tódero salienta que o maior problema de Primeiro de Maio são as estradas rurais, necessitando de melhor infra-estrutura e a construção de pontes nas áreas mais distantes. Queremos somente que a Cesp cumpra com o compromisso assumido na época da construção da Hidrelétrica Capivara. (A.S.)





