Arapongas A tradição forjada durante os 54 anos de atuação e a fama de oferecer ensino de qualidade não foram suficientes para livrar de problemas o Colégio Estadual Emílio de Menezes, no centro de Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Com uma ala interditada por causa de falhas graves na estrutura da construção, a cozinha está fechada e os quase 1.800 alunos estão desde o início do ano sem receber merenda porque não há espaço livre, e com higiene, para preparar a alimentação.
A diretora Cristiane Cesária Pablos Rossetti contou que a parte com problemas foi construída em 1978 mas nunca passou por reformas. Em razão de rachaduras, infiltrações, goteiras, deslocamentos do forro, afundamento do piso e risco de queda de paredes, a ala foi interditada pelo Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária no final do ano passado. Um vendaval que atingiu a região na mesma época ajudou a piorar a situação. Cozinha, sanitários, sala de vídeo e laboratório de ciências tiveram que ser deslocados para outros locais.
Com isso, criou-se outro problema: a falta de espaço. Grande parte da mudança teve que ser colocada no salão de jogos e a cozinha teve de ser desativada. A direção da escola afirmou que até tentou contornar a situação com a casa do caseiro e também o salão de jogos, mas os locais foram considerados inadequados pela Vigilância Sanitária. Os sanitários tiveram que ser reformados às pressas mas ainda oferecem riscos aos alunos por causa de rachaduras.
No início deste mês, a direção do colégio enviou carta aos pais informando que os alunos têm direito à merenda mas que, em razão da interdição, a alimentação não está sendo fornecida. Cristiane afirmou que o colégio discute o problema com o Departamento Estadual de Construção de Obras e Manutenção (Decon) e com o Núcleo Regional de Educação (NRE). Ela declarou que o colégio tenta conseguir verbas para reforma há quatro anos. Este ano, a escola conseguiu a liberação dos R$ 15 mil mas não teria recebido o dinheiro por razões burocráticas: as duas planilhas tinham o mesmo número de protocolo e o repasse foi retido.
Enquanto persiste o impasse, são os alunos os que mais sofrem. Jéferson Ricardo, 13 anos, reclamou que não é sempre que os pais podem dar dinheiro para comprar merenda. ''Antes tinha refeição diferente todo dia. Agora não tem mais nada e quem pode precisa comprar'', falou. No intervalo de uma sessão improvisada de vídeo, alguns alunos disseram que, muitas vezes, assistem às aulas com fome.

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