A implantação de um setor especializado em atendimento de queimados em Londrina parece, enfim, que vai sair do papel. Segundo informações do Departamento Estadual de Construção, Obras e Manutenção (Decon), o orçamento da obra está sendo finalizado e, após aprovação do governo, será aberta a licitação para a escolha da empresa encarregada das obras, no prédio da antiga maternidade do Hospital Universitário (HU).
''Houve um atraso no fechamento do orçamento por problemas decorrentes do projeto arquitetônico, mas a expectativa é que a licitação seja aberta ainda este ano. Se tudo der certo, as reformas serão iniciadas nos primeiros meses de 2005'', afirma Walmir Matos, chefe regional da Secretaria Estadual de Obras/Decon em Londrina. Segundo a assessoria de imprensa do HU, a obra está orçada em R$ 2,1 milhões e os recursos deverão vir do Governo estadual.
A reivindicação de um setor de atendimento para queimados é antiga em Londrina, e ganha corpo sempre que acontece uma tragédia na cidade. Entre os casos mais recentes e de maior repercussão estão a morte da empregada doméstica Maria Sueli Pereira, em maio do ano passado. Ela sofreu queimaduras graves durante um incêndio em sua casa e ficou uma semana aguardando transferência para o Hospital Evangélico de Curitiba único no Paraná que dispõe de uma ala para queimados. A espera foi fatal para Maria Sueli.
Em junho do ano anterior a falta de atendimento especializado também agravou o quadro clínico do açougueiro Franklin Leandro da Cruz Gonzaga, 23 anos, que faleceu após permanecer nove dias internado sendo os quatro primeiros na Santa Casa de Londrina com mais de 70% do corpo queimado. Ele foi vítima de uma explosão provocada por um vazamento de gás, num açougue da Rua Santos (área central). Junto com Franklin estava seu patrão, Ailton de Albuquerque Júlio, na época com 33 anos. Por se encontrar em estado mais grave, Júlio foi transferido para o Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, e sobreviveu.
Atualmente, graças a 19 cirurgias e um trabalho intenso de fisioterapia, Júlio tem retomado suas atividades diárias, mas a necessidade de acompanhamento constante e especializado levou-o a se mudar com mulher e filhos para Ribeirão Preto. ''Se hoje eu estou vivo é graças a Deus e ao Estado de São Paulo que me acolheu'', diz Júlio. A mãe de Franklin, Gilda da Cruz Gonzaga, completa: ''Não queremos mais ver famílias sofrendo o que nós sofremos. Só vamos descansar quando Londrina tiver um hospital para queimados''.

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