Marcos Zanatta
De Maringá
Entidade de Maringá mantida pela comunidade atende 300 crianças carentes e diretoria já não sabe mais a quem recorrer
Uma das alas do Lar Escola da Criança de Maringá, que atende 300 menores carentes, corre o risco de desabar e a direção da creche não sabe mais a quem recorrer. Um laudo preparado por engenheiros, a pedido da diretoria, mostra que toda a ala está comprometida e pode cair a ‘‘curto prazo’’. ‘‘Pedimos um laudo para tentar sensibilizar as autoridades, mas até agora não conseguimos nada’’, lamenta a irmã Cecília Inês Ferrazza, presidente da entidade. Ela conta que desde que assumiu a função, há três anos, tenta construir uma nova ala.
O Lar foi criado há 36 anos por um grupo de mulheres e é mantido com ajuda da comunidade. A prefeitura mantém 16 funcionários e a manutenção é feita com doações, campanhas e promoções realizadas pela diretoria. Irmã Cecília informou que o ‘‘prédio’’ com a estrutura comprometida tem a mesma idade do Lar e foi construído com madeira reaproveitada. O laudo aponta fadiga de material, deslocamento e trinca de vigas e pilares, desnível do telhado, paredes fora de prumo e apodrecimento de ponta da parede e do assoalho.
A maior parte das crianças do Lar assiste aulas nas oito salas na parte comprometida e todas fazem recreação no pátio interno. ‘‘Isso só é possível quando não chove’’, afirma irmã Cecília. O teto de madeira foi corroído pela água da chuva, que sempre inunda o pátio e algumas salas. ‘‘Quando o tempo fecha a gente tira as crianças daqui.’’
A direção do Lar já pediu ajuda de órgãos públicos, inclusive da secretária da Criança e Assuntos da Família, Fani Lerner, que recebeu uma cópia do laudo, mas ninguém até agora pôde auxiliar. ‘‘Na Alemanha, as entidades humanitárias alegam que vale mais a pena ajudar a África, onde o retorno social é maior.’’
Pelos cálculos de irmã Cecília, será preciso cerca de R$ 400 mil para construir uma nova ala, inclusive com mais espaço para as crianças. ‘‘Ganhamos o prêmio Bem Eficiente, que reconhece nosso trabalho, e agora esperamos o reconhecimento da comunidade’’, argumenta a irmã.
O prêmio foi entregue a 50 melhores entidades do País. Uma empresa de Maringá, em reconhecimento, vai repassar 0,5% do faturamento de outubro para o Lar. ‘‘Mas será apenas para manutenção das crianças. Agora queremos ajuda para construir a nova ala.’’

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