Operários começaram a desmontar ontem a ala de madeira do Lar Escola da Criança de Maringá, interditado desde setembro, quando a Folha mostrou o risco de desabamento das paredes de algumas das oito salas. O Lar atende a 300 crianças de 5 a 14 anos carentes. Com a interdição, 10% dos alunos foram para um programa de ensino a distância. ‘‘Nossas despesas aumentaram e as crianças não gostaram da alternativa, mas não tínhamos outra escolha’’, explica a freira Cecília Ines Ferrazza, diretora do Lar.
Com a notícia do risco de desabamento da construção de madeira, empresários e políticos passaram a fazer campanha para erguer novas salas. ‘‘Ganhamos 18 mil tijolos, 100 sacas de cimento, ajuda em dinheiro e muita oferta de mão-de-obra e projetos, o que já dá para construir oito salas’’, disse a freira. Ela acredita que com o início das obras será mais fácil continuar a campanha.
As salas ‘‘garantidas’’ devem estar prontas até o final do ano. Com a estrutura ‘‘mínima’’ refeita, a direção do Lar acredita que será possível voltar a atender a todos os alunos. O orçamento para concluir a nova ala é de, no mínimo, R$ 80 mil. ‘‘Para isso, além das campanhas estamos tentando reutilizar o máximo de material possível’’, disse a irmã Cecília.
A ala de madeira foi a primeira construída pelo Lar há mais de 40 anos. Além do espaço didático, existia uma área coberta de aproximadamente 300 metros quadrados, que precisará ser refeita para atender às crianças no intervalo das atividades.
O Lar atende a 60 crianças em idade de pré-escola no regime integral e outras 240 no contraturno com atividades de reforço e formação pessoal. O limite de permanência é de 14 anos, mas em alguns casos o Lar fica com o adolescente por mais tempo. ‘‘São crianças com problemas familiares que precisam não apenas ser encaminhadas ao mercado de trabalho, mas que encontrem no patrão um padrinho’’, confidencia a freira.

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