AL vota adiamento do Proem para 98
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sexta-feira, 13 de dezembro de 1996
Ivan Santos<br> Da Sucursal 
A Assembléia Legislativa deve votar na semana que vem o adiamento para 98 da extinção dos atuais cursos profissionalizantes de 2º grau, prevista inicialmente no Programa de Expansão, Melhoria e Inovação do Ensino Médio (Proem) para o ano que vem. O projeto que prevê o adiamento foi aprovado ontem pela Comissão de Constituição e Justiça da AL e faz parte de um acordo entre governo e deputados para dar às escolas mais tempo para se adaptar ao novo modelo.
A polêmica em torno do Proem começou há dois meses, quando a Secretaria da Educação determinou a suspensão das matrículas para os cursos profissionalizantes de 2º grau nas escolas estaduais já para o próximo ano. Os colégios passariam a aceitar matrículas apenas para Educação Geral, e mais tarde seriam oferecidos cursos pós-médios em substituição aos antigos cursos profissionalizantes de magistério, administração e contabilidade.
A medida provocou forte reação entre a APP-Sindicato, entidades estudantis e deputados de oposição que acusavam o governo de não discutir o projeto com a comunidade, impondo o fim dos cursos compulsoriamente. A oposição chegou a apresentar projeto de decreto legislativo propondo a derrubada do Proem. Os próprios deputados do governo admitiam que as mudanças precisavam ser negociadas com um prazo maior. A APP chegou a publicar anúncio contra o governo por tentar extinguir o ensino público profissionalizante no Estado.
Diante da reação, o secretário da Educação recuou e baixou resolução dando prazo até o final de 97 para as escolas aderirem ou não ao programa e a opção de que elas mantivessem seus os atuais cursos. O projeto que a Assembléia deve aprovar na semana que vem regulamenta essas mudanças. Segundo a secretaria, 80% das 735 escolas com 2º grau no Paraná já aderiram ao Proem.
A APP-Sindicato não ficou satisfeita com as alterações no programa. A entidade acusa o governo de pressionar as escolas, condicionando a liberação de verbas à adesão ao programa. O Proem embute uma privatização do ensino profissionalizante, retirando o Estado desse setor, diz o presidente da APP, Romeu Miranda.
O secretário da Educação nega as pressões e diz que a reação do sindicato reflete uma visão ultrapassada do ensino. Não estamos extinguindo cursos, mas mudando o modelo para adaptá-lo às necessidades do mercado, afirma. Segundo Wahrhaftig, a oposição dos sindicalistas ao programa não é técnica. Esses setores estão mais interessados em política do que em educação.
O secretário garante que todas as escolas que possuem hoje cursos profissionalizantes terão cursos pós-médios e promete definí-los até o final do ano que vem. Ele prevê a criação de cursos para formação de técnicos em turismo e hotelaria em Foz do Iguaçu, design de móveis em Guarapuava e Arapongas, ou construção civil em Curitiba, entre outros. Temos três anos para equipar escolas e preparar esses cursos, afirma o secretário, prometendo informatizar todas as escolas de 2º grau nesse período.


