Servindo clientes em um bar do Centro, Wilson de Oliveira já reconhece os que são ''da casa''. Alguns já até o chamam - e os outros garçons - pelo nome. E quando começam a exagerar um pouco na bebida, recebem os conselhos e a ajuda de Wilson. Ele conta que um dia chegou a ir de moto até a casa de um desses clientes, que estava embriagado, pedir que alguém fosse buscá-lo no bar.
''Teve outro que tomou umas aqui com um amigo e já tinha chegado meio embriagado. A gente até recolheu os copos da mesa para ele não quebrar e se machucar. Aí a gente avisou para os outros garçons não servirem mais. O pessoal ia enrolando, falando que a bebida já estava vindo, até que o amigo o levou embora'', lembra o garçom. Mas estes são os clientes conhecidos, diz. Os que não vêm sempre ao bar raramente admitem que alguém do estabelecimento ''cuide'' deles.
O gerente da casa, Paulo Roberto Guandalini da Costa, diz que o garçom pode chamar um conhecido do cliente embriagado para vir buscá-lo, enrolar com a bebida, pedir para o amigo sóbrio tomar conta dele, chamar um táxi, e que tudo isso costuma acontecer no estabelecimento. Mas deixar de servi-lo, como propõe o projeto da deputada Rita Camata, feriria o seu direito de ir e vir.
''Não tem como dizer para o cliente: 'você tem que parar de beber porque está embriagado'. Isso vai constrangê-lo, e ele perde o direito de ir e vir. Então, acho essa medida inconstitucional também'', afirma Costa. Ele ainda levanta a possibilidade de o cliente se voltar contra o estabelecimento. ''E se a gente não vende, outro vende. Também sempre vai ter um amigo com ele que pode comprar (a bebida)'', completa. (M.F.C.)

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