Ajudar exige controle emocional
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Segundo o psicólogo Bruno Mazetto, em situações de perigo como a registrada na Avenida Dez de Dezembro no último sábado, o mais comum é ver testemunhas paralisadas, sem saber o que fazer, ou descontroladas emocionalmente. Uma minoria consegue agir e tomar as rédeas da situação. Mazetto lembra que muitos não ajudam por medo de atrapalhar, agravando um ferimento, por exemplo. ''Talvez se uma porcentagem maior da população tivesse noções de primeiros socorros, mais gente ajudasse neste tipo de situação. Quando não se sabe o que fazer, fica muito mais difícil fazer.''
De acordo com o psicólogo, portanto, não dá para criticar os que não agem neste tipo de situação, ou dizer que têm menos valor que aqueles que colocam a própria vida em risco para salvar outras. ''É preciso conhecer os motivos que levaram uma pessoa a não ajudar. Há quem não tenha condições emocionais para isso'', reforça.
O fato dos três garis que ajudaram no resgate da família estarem acostumados ao trabalho em equipe pode ter influenciado na decisão de pularem na água naquele momento. ''A organização e o entrosamento que provavelmente existe entre eles no dia a dia deve ter influenciado. Pessoas que trabalham desta forma têm facilidade de entender a dinâmica do trabalho em grupo'', diz Mazetto.
Em relação à repercussão do caso, que chamou a atenção de todo o País, o psicólogo observa que o ser humano precisa de heróis, tem necessidade de saber que há pessoas capazes de dar a vida por outras, se for preciso. ''O fato de ter imagens também ajudou muito nesta repercussão.'' Ainda segundo Mazetto, há relatos de experiências que mostram que o brasileiro, de maneira geral, é mais solícito que outros povos. ''Acho que isso tem mais a ver com questões culturais do que com a ideia de que a difícil situação econômica do País cria entre todos um sentimento de solidariedade.''


