Ajudar as pessoas dá uma satisfação
''Eu fui abduzido por extraterrestres. Colocaram um chip na minha cabeça e agora estão querendo me controlar''. Esse é um dos muitos casos pitorescos que os atendentes de 190 (Polícia Militar) já ouviram. De acordo com o subtenente Cislau Chanan, por mês são cerca de 56 mil ligações ns oito linhas telefônicas do 190, cuja central de operações está localizada no 5º Batalhão da PM. ''Desse montante, apenas 8%, ou seja, quatro mil, são ocorrências.''. A grande maioria abrange desde pessoas que foram ''abduzidas'', trotes e até aqueles que só querem saber o telefone da Santa Casa, por exemplo.
Além de PMs, são oito civis que atendem o 190 em Londrina. Olimpia Rodrigues faz parte do segundo grupo e há três anos vive ''ouvindo problemas e desgraças alheias'', como define seu trabalho. ''Eu sempre estou me cuidando para não levar o clima daqui para casa, mas o fato de podermos ajudar as pessoas até que dá uma satisfação'', comentou. Ela afirma que para desestressar sempre procura chegar do trabalho e fazer caminhadas.
A PM Ana Maria dos Santos já atendeu várias chamadas de agressão em casas. ''O que mais me marcou foi de uma mulher que começou a falar, aí eu ouvi o marido gritando: você ligou para a polícia?''. Segundo ela, o telefone foi desligado em seguida. Depois de alguns minutos, a PM telefonou e conversou com a mulher, que confirmou a agressão. ''Eu a consolei e orientei para que tomasse as medidas necessárias, como procurar a Justiça e fazer exame de corpo delito.''
Mas nem só de tragédias vive um atendente de 190. Olimpia Rodrigues conta de uma ligação que recebeu de uma mulher: ''meu marido está trancado para fora do quarto e eu preciso da polícia''. Parecia mais uma ocorrência de violência doméstica, mas Olimpia descobriu que, na verdade, o homem tinha tomado píluas que incrementaram seu apetite sexual.
Um dos casos que ficou na memória do subtenente Chanan aconteceu há pouco mais de um ano, na Área Rural de Londrina. ''Os bandidos já tinham entrado num sítio de uma senhora que, espertamente discou 190 e deixou o telefone ligado enquanto os bandidos abordavam ela'', contou. Ele recorda que o atendente conseguiu ouvir o diálogo da mulher com os bandidos e obteve as informações necessárias para enviar viaturas. ''A mulher nos informava falando: por favor não levem o meu Golf aqui do sítio tal, tal. No final demos de frente com os ladrões saindo do local'', recordou.





