Ajudante de feira é baleado à queima-roupa
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segunda-feira, 08 de janeiro de 2007
Fabio Cavazotti<br> Reportagem Local 
Domingo, uma hora da tarde. Fim de feira movimentado e chuvoso na avenida Saul Elkind, Zona Norte. De repente, o inesperado: um rapaz chega de bicicleta, aproxima-se de uma barraca e dispara várias tiros em Marciel Barbosa Clemente, de 28 anos, que ajudava a desmontar a lona de cobertura. Atingido nas mãos, testa, nuca, e nos dois lados da face, ele é levado em estado grave para o Hospital Universitário.
Na farmácia em frente à barraca, vêem-se os sinais da violência: duas perfurações no teto feitas por balas disparadas na rua, e outra em um tubo de creme de barbear. Funcionários e clientes, assustados, agradecem pela 'sorte' de terem escapado das balas perdidas.
A busca por mais informações sobre os disparos esbarra na 'lei do silêncio'. Ninguém sabe, ninguém viu. É como se a multidão que estava na feira tivesse ido embora num passe de mágica. Os novos observadores juram ter acabado de chegar ao local.
Com o passar do tempo, e uma certa insistência, alguns vizinhos informam que Marciel Clemente é morador da região, separado e tem uma filha pequena. Um feirante que assistiu à cena acrescenta que após virar-se para ir embora, já com a vítima caída no chão, o atirador retornou, com calma, e fez mais um disparo, desta vez no rosto da vítima. Depois, fugiu de bicicleta.
O proprietário da barraca onde Marciel prestava auxílio, o feirante Márcio Godoi, diz que ignora o motivo do crime. ''Foi muito rápido, quando escutei ele já estava caído. Mas não teve nada com a barraca, não houve roubo'', afirmou.
Outro feirante conta que Marciel permaneceu calmo até a chegada do Siate. ''Mesmo com o sangue, ele conseguia falar. Disse que estava bem, sentindo as pernas, e perguntava da ambulância, que demorou um pouco''.
A Polícia Militar foi mais rápida, já que uma viatura fazia ronda nas proximidades da feira. ''Chegamos quase na hora, mas ninguém quis testemunhar'', contou o soldado Mário Aparecido Vieira. Na ausência de agentes da Polícia Civil e Instituto de Criminalística, os próprios PMs recolheram as provas do crime. Sem equipamentos adequados, reviraram o sangue com uma vareta encontrada na rua, à procura das balas, que foram guardadas em um saquinho plástico cedido pela farmácia.
O delegado de plantão, Manoel Pelisson, e o perito do Instituto de Criminalística, Luiz Noboru, explicaram à reportagem da FOLHA que a ''praxe'' atualmente é enviar as equipes apenas se a vítima morre no local. Caso contrário, o levantamento pericial é feito posteriormente.
No final do dia, a PM informou que o suspeito dos disparos, e outro rapaz que o acompanhava, não foram localizados. Marciel Clemente permanecia em cirurgia no HU, em estado grave. Segundo informações do hospital, ele recebeu sete tiros, dos quais dois perfuraram o pulmão.


