Coordenação da Casa do Bom Samaritano fez readequações para aumentar número de atendimentos
Coordenação da Casa do Bom Samaritano fez readequações para aumentar número de atendimentos | Foto: Marcos Zanutto



Com a queda de temperatura muitos moradores em situação de rua sofrem ao dormir ao relento. Desde 2009, ano da realização do último censo, esse público aumentou. Segundo informações da Prefeitura de Londrina, o número já passa de 500. A Operação Noite Fria, conduzida pela secretaria de Assistência Social, foi criada justamente para proporcionar acolhimento a esses moradores. Desde o início da edição de 2018, no dia 22 de maio, a iniciativa já prestou cerca de 200 atendimentos.

Segundo a diretora de Proteção Social Especial da secretaria, Joseane Nogueira, o número de vagas oferecidas por meio da operação aumentou de 60 para 64, em comparação a 2017. Essas vagas são ofertadas por meio de convênio com as entidades Bom Samaritano e Morada de Deus. A operação é realizada de maio a setembro. Os acolhimentos acontecem das 19h às 7h e são realizadas por meio da equipe de abordagem da secretaria ou pela equipe do Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua).

Por conta do frio, e por se tratar de serviço indispensável, o término do horário das abordagens nas ruas foi estendido de 23h para 1h. "Muitas vezes a pessoa está na rua e não quer ir para o acolhimento, mas se tiver alguém da Assistência Social que passe para levá-la para o acolhimento depois das 21h30 acaba indo", declarou Nogueira. A abordagem estendida foi realizada até quinta-feira (31), mas poderá ser retomada se as temperaturas caírem novamente.

Além das 64 vagas, há outras 154 disponibilizadas diariamente nas instituições socioassistenciais conveniadas com a secretaria - Centro de Assistência e Recuperação de Vidas Morada de Deus, SOS (Serviço de Obras Sociais) e Casa do Bom Samaritano. Nos abrigos conveniados, as pessoas têm direito a banho e jantar, podendo dormir e receber os serviços de atendimento de proteção social especial. Durante o dia, uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais, pedagogos e de apoio faz o acompanhamento da pessoa, direcionando para grupos de atendimento e para ajudá-las a sair da condição de rua.

REGRAS
A coordenadora técnica da Casa do Bom Samaritano, Elaine Cristina de Oliveira, explica que para poder atender mais pessoas as camas comuns são substituídas por beliches e são contratados mais funcionários. "Normalmente recebemos 89 pessoas, mas nesse período de frio acolhemos 30 pessoas a mais que o volume que a instituição normalmente suporta", observou.

"Para permanecer aqui a pessoa não pode fazer uso de substância psicoativa e nem estar sob efeito delas. É preciso que a pessoa consiga conviver com os outros minimamente. Às vezes algumas pessoas têm rusgas da rua não resolvidas e nesse caso um ou outro não fica aqui", apontou Oliveira. Ao todo são servidas diariamente 600 refeições por dia. "É uma casa grande, mas comum", destacou.

REPÚBLICA
Além dos locais conveniados, desde 2017 funciona uma república para moradores de rua na zona leste. A diretora da secretaria disse que a partir de agosto podem ser abertas mais três repúblicas, para atender 30 pessoas, sendo duas para crianças e adolescentes – com supervisão de adultos.

A Assistência Social também projeta a abertura de uma unidade próxima ao Centro POP, que terá dez banheiros com chuveiros. "O que o morador mais pede é um local para tomar banho. Eles também querem lavar a sua roupa. Nesse centro teremos chuveiro, tanque para lavar roupa, espaço para a realização da atividade física e uma quadra de futsal", relatou. Ela destacou que por recomendação do Ministério Público a prefeitura irá centralizar o espaço para que as instituições e organizações religiosas e não governamentais para servir alimentação para o pessoal em situação de rua. "Como o local em que hoje são servidas as refeições ficam em espaços abertos e possuem muito sujeira, os moradores não têm espaço para lavar as mãos. Nesse centro, que ficará pronto nos próximos 30 dias, todas as instituições podem servir as refeições no local", afirmou.

Assistência Social de Cambé realiza abordagens

Trabalho é realizado em pontos estratégicos, como praças
Trabalho é realizado em pontos estratégicos, como praças | Foto: Divulgação/PMC



A secretaria de Assistência Social de Cambé (Região Metropolitana de Londrina) vem realizando o trabalho de aproximação dos moradores de rua da cidade. Segundo dados da secretaria, são 17 pessoas que estão nessa situação há mais de seis meses e os principais motivos são o vício em drogas, alcoolismo e o desemprego. Além disso, há 85 que a pasta classifica como "trecheiros", moradores de rua itinerantes, que estão apenas de passagem pelo município.

"A aproximação é realizada de forma que a equipe crie vínculo com o morador de rua. Tem que ouvir mais e falar menos para poder intervir. Muita gente começa a chorar porque está abalado", destacou a diretora de Proteção Especial da secretaria, Cláudia Serpeloni, explicando que as abordagens são realizadas em pontos estratégicos, como praças e locais de intensa circulação de pessoas, como o terminal de ônibus e a rodoviária. "Cada equipe de abordagem social é formada por quatro pessoas: um assistente social de nível superior e três agentes sociais, de nível médio", explicou.

"Os técnicos de referência, que são assistentes sociais, os encaminham para a casa de passagem Pe. Emanoel Coelho e, caso necessitem de atendimento de saúde, também são encaminhados para as unidades de saúde do município", explicou a diretora. "Se a pessoa está debilitada, se precisa se hidratar ou tomar medicação, a gente encaminha para a rede de saúde e acompanha o prontuário. Caso a pessoa precise de documentação, se for de Cambé, começamos a trabalhar a confecção dela por aqui. Mas se for de outro município, encaminhamos ao Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social). Lá ela vai ser atendida", apontou. "Nosso objetivo é o retorno familiar. Através da entrevista social analisamos como está a vida da pessoa e aconselhamos o retorno. Caso ele queira voltar para casa, pagamos passagem", apontou.

Caso o morador de rua queira se estabelecer no município, a equipe faz o cadastro único da pessoa para que ele possa receber o Bolsa Família. Nesse caso ele fica na casa de passagem Pe. Emanoel Coelho até conseguir trabalho.

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