Ajudando em outras realidades
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terça-feira, 11 de maio de 2010
Paula Barbosa Ocanha<br> Reportagem Local 
A psicóloga Barbara Sérvulo Herthel, 24 anos, nunca havia lidado com situações de pobreza extrema, até o ano passado, quando se candidatou a um intercâmbio para a Colômbia. ''Eu tinha planos de terminar a faculdade e viajar para algum país da América Latina. Não tinha pensado em trabalhar com uma realidade de pobreza, mas quando achei essa vaga corri atrás. Depois eu percebi que era exatamente o que eu queria'' lembra.
Ela participou de um dos programas da Associação Internacional de Estudantes de Ciências Econômicas e Comerciais (Aiesec), com sede na Universidade Estadual de Londrina (UEL). O intercâmbio era na área social. ''Eu trabalhei para o governo da Colômbia e fiquei três meses no país, de setembro a dezembro de 2009'' explica.
O trabalho fazia parte de um programa de combate à pobreza extrema, e as três intercambistas escolhidas para ir ao local trabalhavam com a população excluída. Ela conta que um dos episódios que marcou foi a visita a uma casa onde moravam a mulher e um filho. ''O garoto fazia um curso técnico gratuito e, para não perder a vaga, não podia faltar às aulas. Como não tinha dinheiro para a condução, ele ia a pé, numa distância que seria como cruzar a cidade de uma ponta à outra, todos os dias. Ele levava o dia inteiro para fazer isso: saía de manhã, estudava à tarde e só chegava em casa à noite. Era incrível sua persistência mesmo vivendo naquelas condições''.
Barbara voltou para o Brasil e começou a trabalhar com programas de desenvolvimento. ''A experiência que tive no intercâmbio me abriu muitas portas. Foi uma oportunidade única'', conclui.
Rússia
A Aiesec não disponibiliza vagas somente na área de desenvolvimento social. Mário Rafael Calzavara, relações públicas, também participou de um intercâmbio da associação. Diferente de Barbara, que escolheu primeiro o país, depois o trabalho, o jovem logo se interessou por uma vaga em um canal de televisão. Depois ficou sabendo que era na Rússia. ''Achei legal por ser em um país tão diferente do Brasil, mas deu um pouco de medo. Sou católico e fui para uma região predominantemente muçulmana. Apesar disso, foi tranquilo. Eu escrevia artigos em inglês e depois alguém traduzia para o russo. No final das contas o texto mudava tanto que nem era mais meu'', brinca. ''Mas a experiência foi muito boa''.
Depois de cinco meses e meio na Rússia, Mário foi para a Itália trabalhar no escritório regional da Aiesec. ''A associação está presente em mais de 100 países, e eu trabalhava em um dos escritórios que presta assistência a intercambistas que vão da Itália para o Sudoeste Asiático''. Ao todo, o jovem ficou um ano fora do país. ''As viagens foram muito válidas para minha carreira, tanto que hoje eu faço pós-graduação em relações internacionais'' finaliza.


