Ajuda só com a permissão da pessoa
Nem sempre a recuperação de um morador de rua é bem sucedida. É preciso a aceitação da própria pessoa para que o Sinal Verde possa agir. ''Tem casos em que só podemos intervir quando há risco para a saúde'', afirma Sandra Coelho. Uma destas situações é a de Jair Almeida dos Santos, conhecido como ''batata'' ou ''borracha''. Pernambucano, ele veio a pé com o irmão (já falecido) para Londrina, onde há três anos vive nas ruas. Usualmente embriagado, ele ''mora'' nos canteiros da avenida Dez de Dezembro, nas proximidades do Terminal Rodoviário.
Segundo Sirlene Fernandes da Silva, que vende frutas num semáforo da avenida e convive diariamente com Jair, ele era mecânico e sempre aparentou ser uma pessoa cativante. ''Todos aqui gostam dele e ele gosta da rua. Ele conta que veio para encontrar parentes, mas não achou. Casou com uma mulher que bebia mais que ele. Quando ela morreu, desandou sem rumo'', afirma.
Segundo Coelho, o caso de Jair é complexo. ''Conseguimos permissão para interná-lo três vezes mas ele sempre fugiu''. Questionado pela reportagem do por quê ficar nesta situação, Jair retrucou com outra pergunta: ''Você me dá uma marmita? Senão, não conto''.
Brincalhão, ele tem companhia constante de uma cachorrinha. ''É minha branquinha. Chegou querendo carinho e você acha que eu ia negar?''. Sirlene revela que esse bom humor faz com que ganhe muitas esmolas. ''Tem gente que passa de carro e joga R$ 50,00. Assim ele nunca fica sem comida nem bebida''. (G.B)





