Ajuda para repensar a profissão
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terça-feira, 31 de março de 2009
Thiago Alonso<br> Equipe da Folha 
Um dado contraditório e preocupante vem assustando as universidades brasileiras: a evasão nos bancos da academia. Estima-se que entre 30% e 40% do alunos que ingressam no tão sonhado curso de graduação deixam a universidade antes de se formarem. Na Universidade Federal do Paraná (UFPR) não é diferente, diz a psicóloga Luciana Valore, coordenadora do programa "Repensando a Escolha", que oferece orientação profissional para quem -teoricamente- já optou por uma carreira profissional.
As aulas, que começam no mês que vem, têm como objetivo ajudar quem já entrou na universidade mas ainda tem dúvidas sobre a carreira pela qual optou.
Criado em 2006, o programa atende cerca de 30 alunos por ano -número que, segundo a coordenadora, representa uma mínima fatia dos universitários que ainda tem dúvida sobre a carreira dentro da comunidade universitária. Nas contas de Luciana, metade dos estudantes mudaram de curso depois de participar do programa, que é oferecido pelo Centro de Estudos e Assessoria em Psicologia e Educação (Ceape), da UFPR.
A psicóloga, que trabalha com orientação profissional há 10 anos, decidiu criar o programa depois de constatar a grande evasão universitária. Ela queria entender o motivo de tanta desistência depois da luta para entrar na faculdade.
O primeiro passo foi pesquisar as principais queixas dos estudantes. A maioria deles reclama da não-indentificação com o curso. Luciana explica que isso acontece por falta de informação sobre o que será estudado e como é a profissão. Na visão da estudiosa, isso é resultado da ausência de orientação profissional -tanto das universidades, que não são preparadas para receber alunos de ensino médio, quanto das escolas, que preparam o aluno apenas para o vestibular, mas esquecem que o mesmo deve escolher uma carreira. "Não podemos responsabilizar o aluno da falta de conhecimento do curso", diz.
Outro fator que acaba por afastar os alunos é o que psicóloga chama de idealização da profissão. Eles entram na universidade acreditando ser uma coisa e descobrem ser outra. Muitos outros desistem quando descobrem como é o mercado de trabalho -uma dificuldade em qualquer carreira. "Eles não têm ideia de que profissão é maior que o curso", afirma a psicóloga. Muitos desses fatores, isolados ou somados, acabam por colocar a dúvida na cabeça do universitário: "Será que optei pelo curso certo?".
O programa "Repensando a Escolha" pretende ajudar a responder a questão. Realizado em oito encontros semanais de duas horas cada, o programa dura pouco mais de dois meses. "O importante é que os jovens descubram que estar em dúvida não é uma doença. Com a dúvida, eles carregam uma sensação de culpa e fracasso muito grande", revela.


