Ney de SouzaSem conversaO superintendente do Ibama, Jonel Iurk, seguido por representantes da Aipopec e agricultores: negociação suspensa MEDIANEIRA - O grupo que ocupa uma área do Parque Nacional do Iguaçu desde o dia 8 para forçar a reabertura da Estrada do Colono decidiu suspender as negociações com o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Jonel Iurk, e manter a invasão.
A decisão foi anunciada anteontem à noite por Marcos Pagani, coordenador da Associação de Integração Comunitária Pró-Estrada do Colono (Aipopec), entidade que lidera o movimento, ao final de uma reunião tensa de três horas e meia com Iurk. O objetivo do encontro era negociar uma saída para a crise criada pela invasão.
‘‘Vamos procurar um interlocutor competente: o presidente do Ibama (Eduardo Martins) ou o ministro do Meio Ambiente (Gustavo Krause)’’, anunciou Pagani. ‘‘Precisamos de mais boa vontade do pessoal do Ibama. Consideramos a abertura da estrada um fato consumado. Basta buscarmos soluções jurídica e técnica para isso.’’
A reunião foi em Medianeira, após uma vistoria feita pelo superintendente estadual do Ibama e do presidente do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Mário Andreghetto, na área ocupada. Na vistoria, eles puderam constatar que a Aipopec descumpriu o acordo que estabelecia a saída dos invasores até a última terça-feira.
Jonel Iurk propôs que, num prazo de 120 dias, uma comissão formada por técnicos do Ibama, do IAP e representantes da Aipopec faça a revisão do Plano de Manejo do Parque Nacional do Iguaçu e, durante esse processo, avalie a viabilidade do projeto de reabertura da estrada apresentado pela Aipopec.
Editado em 1981, o plano de manejo é um documento que define o zoneamento - quais as formas de ocupação que cada área do parque pode receber. De acordo com o plano, a área do leito da estrada é de ‘‘uso especial’’ (operações internas do Ibama) e a do entorno, ‘‘intangível’’ (não pode ser tocada). A revisão do documento poderá mudar essas classificações e permitir a reabertura da estrada.
Durante a reunião, a Aipopec exigiu que Iurk assinasse um documento ratificando as classificações do Plano de Manejo de 81 no ponto que considera o leito da estrada como de uso especial. Com isso, Pagani acreditava que a entidade poderia convencer a Justiça Federal a derrubar a liminar que fechou a Estrada do Colono em 1986. Na prática, essa medida provocaria a reabertura imediata.
Diante da recusa de Iurk de assinar o documento, Pagani anunciou a suspensão das negociações. Iurk considerou a decisão ‘‘um retrocesso’’, mas disse que pretende manter o diálogo. ‘‘Queremos uma solução técnica, que é a revisão do plano de manejo’’, afirmou.
A ocupação do Parque Nacional do Iguaçu completou ontem 15 dias. Cerca de 500 pessoas permanecem acampadas nas duas extremidades do trecho de 17,6 quilômetros que corta o parque, nos municípios de Serranópolis do Iguaçu (Oeste) e Capanema (Sudoeste).
Iurk anunciou que, com a recusa dos manifestantes em sair do parque, as medidas judiciais para retirá-los continuam em vigor. Decisão da juíza federal Cristina Rocha, de Curitiba, autorizando o uso da força policial para a desocupação, não havia sido cumprida até ontem.
Nota de repúdioRepresentantes de dez Organizações Não-Governamentais (ONGs) do Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Estados Unidos e Holanda, que estão reunidos em Foz desde ontem, vão incluir uma nota de repúdio à invasão do Parque do Iguaçu em um documento que será elaborado no sábado, ao final do encontro ‘‘Coalizão Rios Vivos’’. O grupo pedirá também a imediata retirada dos invasores.

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