Ainda temos muito que avançar
A professora do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Silvia Meletti, acredita que a inclusão esteja ocorrendo em Londrina de modo satisfatório, principalmente nas escolas públicas, que, segundo ela, teriam mais estrutura como adaptações arquitetônicas, pessoal especializado e materiais adequados.
''Por outro lado, ainda temos muito que avançar tanto no número de alunos com necessidades educacionais especiais que têm acesso à escola regular quanto no trabalho destinado a esta população. Não é um processo fácil, mas os estudos indicam que para boa parte dos alunos com necessidades educacionais especiais o mais adequado é a inserção em espaços regulares de ensino e não a permanência em sistemas segregados como historicamente ocorreu em nosso país'', pontua.
Sílvia analisou o processo de inclusão de alunos com deficiência no sistema regular de ensino de 2007 a 2009, na rede de ensino de Londrina e desde 2010 investiga os dados oficiais da inclusão, por meio da análise do Censo da Educação Básica, no Brasil, Paraná e em municípios de cinco estados.
A ampliação de verba destinada à rede pública de ensino e do quadro de profissionais especializados na escola regular e nas equipes multidisciplinares responsáveis pelos processos de avaliação e de encaminhamento dos alunos com necessidades educacionais especiais são dois pontos que precisam ser melhorados, segundo a professora. ''Em síntese, melhorar as condições gerais de trabalho do professor e da equipe multidisciplinar'', avalia Sílvia.
Segundo indicadores apresentados pelo Censo Escolar do ano passado, a inclusão passou de 28% em 2003 para 74% em 2011. Para Martinha Clarete Dutra dos Santos, diretora de Políticas de Educação Especial do Ministério da Educação, esses números refletem a mudança decorrente da implementação da política de inclusão.
''Os desafios são permanentes, já que o sistema educacional deve estar em constante transformação, considerando que a singularidade de cada estudante público-alvo da educação especial suscita a necessidade de novo planejamento e estratégias de ensino, assim como um plano individual de atendimento educacional especializado'', destaca. (E.G)





