''Parecia interminável. No momento que começa a gente perde a noção de tempo.'' Esta foi a sensação do professor de matemática da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Esdras Penedo de Carvalho, de 38 anos, no momento em que o ônibus da Viação Garcia chocou-se contra a Belina. ''Ainda lembro do barulho da lataria amassando quando bateu na árvore.'' Carvalho estava sentado na poltrona 15 e contou que por pouco se salvou. ''Acho que Deus me ouviu, porque a batida da árvore foi perto da poltrona 10'', lembrou.
Momentos de pânico também viveram os estudantes Glauco Barnez Pignata Cattai, de 20 anos, e Fernando Sambineli, de 23 anos. ''Foi inexplicável. Eu não posso dizer que foi Deus quem me salvou; não entendo por que Ele não salvou os outros. O que eu fiz de melhor?'', questionou Cattai, bastante emocionado. Cattai reside em Rio Claro (SP), mas estuda há menos de uma mês na UEM. Esta foi a primeira viagem que ele fez para visitar os pais desde que entrou na faculdade de educação física. ''Agora vou evitar o máximo voltar'', declarou. A primeira coisa que fez ao chegar no hospital foi ligar para a mãe e avisar. ''Era 6h30 quando telefonei, bem na hora que costumo chegar em Maringá.''
Já Sambineli acredita que foi ''a mão de Deus'' que o salvou. Ele conta que viu o ônibus girar e só acordou quando já tinha parado. Como muitos outros, o estudante foi retirado pelas janelas que estouraram após o acidente. ''Eu só lembro do barulho e das pessoas gritando muito. Tinha corpos mutilados pelo chão'', recordou. A estudante Michele Alcantara Camargo, de 20 anos, descreveu as cenas que viu como uma guerra. Ela foi uma das poucas pessoas que tiveram poucos ferimentos e que pôde voltar para casa ainda ontem.
Os familiares dos passageiros também passaram por maus momentos. ''Meu filho me ligou do celular e avisou. Apesar dele falar que estava tudo bem eu fiquei preocupado'', disse o aposentado Antônio Amorim, de 64 anos. O filho Adolfo Amorim, de 36 anos, teria viajado para Piracicaba devido ao curso de mestrado. ''Ele ficou tão nervoso que chegou a perdir para a esposa, que está grávida, cuidar do filho caso acontecesse algo'', contou Amorim. Apesar da situação horrível pela qual passou, o aposentado confessa que é um alívio saber que o filho só quebrou o tornozelo.

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