Hospital São Rafael tem dívida passiva estimada em R$ 40 milhões
Hospital São Rafael tem dívida passiva estimada em R$ 40 milhões | Foto: Saulo Ohara



Sob intervenção municipal desde setembro de 2015, o Hospital São Rafael, em Rolândia (Região Metropolitana de Londrina), também tem sentido os efeitos dos atrasos de verbas pelo Governo do Estado. A instituição não recebeu o repasse referente a dezembro da subvenção, no valor de R$ 225 mil. O dinheiro é utilizado para compra de medicamentos e outros materiais. Apesar disso, a atual situação no nível de remédios é considerada tranquila.

O maior problema está no montante do POA (Plano Operativo Assistencial), pelo SUS, que o governo federal manda para o estadual, que posteriormente deposita para o São Rafael. São R$ 360 mil, que tem como destino o pagamento dos salários dos funcionários. Com isso, os vencimentos relacionados aos dias trabalhados de dezembro, que deveriam ter sido pagos no quinto dia útil deste mês, ainda não foram acertados. De acordo com o diretor financeiro do hospital, Sergio Cesar de Oliveira Branco, os atrasos nos repasses são recorrentes desde a administração passada do Estado. "Atualmente, cerca de 95% dos nossos atendimentos são pelo SUS", apontou. A instituição conta com 160 colaboradores, sem incluir os médicos. "Entendemos que esta nova administração (estadual) vem para ajudar, assim como em nível de Brasil." A instituição também recebe R$ 225 mil da prefeitura.

DÍVIDA
A dívida passiva do hospital chega a R$ 40 milhões. A atual diretoria assumiu em janeiro de 2018, conseguindo encerrar o deficit mensal que chegava a R$ 250 mil. "Queremos resolver isso a médio e longo prazo. Revertemos o deficit por meio de remanejamentos. Por um tempo ficamos 'descobertos' da filantropia, com a perda de certificado, e cobranças de impostos foram feitas como se fôssemos empresa privada. Entramos com processo para retirar isso", destacou Branco, que atuou na Santa Casa de Londrina por 13 anos.

A cobrança de tributos pela falta da autorização de filantropia é de cerca de R$ 20 milhões. A diretoria questionou R$ 12 milhões do total e ganhou a ação em primeira instância. "Temos muitas questões trabalhistas. Estamos atuando junto ao juizado de Rolândia para formulação de um acordo", declarou. Outra complicação está na quantia vinda do setor privado, pelos planos de saúde. "O que recebe é bloqueado na fonte. Quando atende convênio, além de não ter acesso ao dinheiro, o hospital é penalizado por ter que pagar o que não tem para quem prestou o atendimento."

A comunidade desempenha papel fundamental para o hospital. Entre 20% a 30% do que é gasto em materiais como papel higiênico e copos são de doações. "O hospital está em situação nula: o que entra é utilizado para pagamentos. Nos encontramos em tratativas para colocar doações via Copel e Sanepar, porém existe dívida grande com estas companhias, o que se tornou empecilho", lamentou. Quem quiser ajudar pode ligar para (43) 3311-3000. O diretor administrativo da instituição, Paulo Boçois de Oliveira, foi diretor do hospital Evangélico de Londrina.

OUTRO LADO
Por meio de nota, a Sesa sustentou que "os pagamentos dos prestadores de serviços, incluindo os Hospitais Cristo Rei e São Rafael, começaram a ser feitos na última sexta-feira (18), quando foi aberto o orçamento do Estado". A previsão e que até a segunda quinzena de fevereiro tudo esteja dentro do fluxo normal de pagamento. A pasta descartou que decreto de 9 de janeiro, que suspendeu por 30 dias atos normativos publicados nos últimos dois meses, tenha relação com os atrasos.

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