Ainda enfrentamos muitas dificuldades
O tabuleiro de xadrez de André Rezende Marques é adaptado. As casas pretas são em alto relevo, todas as peças têm pinos embaixo que permitem que sejam encaixadas, e as peças pretas têm ainda um pino em cima, que permite que o jogador as diferencie das brancas. ''Com estas características o cego pode tatear o jogo e identificar a disposição das peças. Assim podemos jogar com pessoas videntes e até mesmo pela internet'', falou.
Ele explicou que as linhas e colunas do tabuleiro são nomeadas. ''Nos jogos on-line digitamos a localização e a movimentação da peça, aí fazemos a jogada'', disse. Mas existe também o ''xadrez às cegas'', que é jogado por vários enxadristas deficientes ou não. ''Esta modalidade consiste em jogar apenas com a imagem do tabuleiro na mente, sem usar as peças reais'', acrescentou.
Para Marques o xadrez para deficientes visuais precisa de divulgação, incentivo público, políticas de desenvolvimento e atenção das empresas privadas. ''Ainda enfrentamos muitas dificuldades, por exemplo, não existe relógio de xadrez digital adaptado ao deficiente visual. Há apenas um analógico que é vendido na Europa e que permite que pelo toque eu sinta o meu tempo e o do adversário'', explicou.
Segundo ele, o jogo para deficientes visuais é o mesmo, muda apenas uma regra. ''Na disputa convencional, peça tocada é peça movida. Como nós precisamos tatear para saber o posicionamento no tabuleiro esta regra foi modificada. No nosso caso, a peça que for levantada do tabuleiro deve ser movida'', explicou. (M.A)





