Brasília - O brasileiro está praticando mais exercícios físicos, mas a ''turma do sofá'' ainda compõe a maioria. Uma pesquisa encomendada pelo Ministério da Saúde mostra que 16,4% da população faz pelo menos 30 minutos de atividade leve e moderada ou 20 minutos de atividade física intensa cinco vezes por semana. É um número pequeno, mas melhor do que o registrado na primeira versão do trabalho, feita em 2006 - naquele ano, 14,9% encaixavam-se nessa classificação, a chamada ''atividade física suficiente no lazer''.
O número de indivíduos totalmente inativos caiu de 29,2% para 26,3% no período. Para os especialistas, trata-se de um porcentual ainda bastante preocupante. E não é para menos, pois ele forma o contingente de pessoas que não realizaram nenhuma atividade de lazer nos últimos três meses, não andaram para chegar ao trabalho, não fizeram exercícios durante o período de trabalho nem são responsáveis pela limpeza de casa. ''É a atividade física zero'', define Deborah Carvalho Malta, do Ministério da Saúde.
No intervalo entre esses dois grupos estão as pessoas que praticam algum tipo de atividade física, seja no trabalho, em casa ou nos horários de lazer, mas em uma frequência inferior ao que é considerado ideal.
''Na pesquisa, medimos os extremos. Entre um grupo e outro, há um longo caminho a percorrer, não é uma mudança imediata'', completa Deborah, animada com o movimento dos indicadores revelado na última pesquisa.
O estudo - chamado Vigitel (Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico) - foi feito em 2008, a partir de entrevistas telefônicas com 54.353 pessoas com 18 anos ou mais, nas capitais e no Distrito Federal. O trabalho procura avaliar os fatores de risco da população brasileira para as doenças crônicas.
Para Deborah, uma das coordenadoras do estudo, a passagem do sedentarismo para a atividade física numa frequência capaz de proteger a saúde será conquistada no País com a associação de dois fatores: informação e políticas públicas. ''Onde há calçada, um parque, um clube, há maior incentivo para que as pessoas incluam o exercício na rotina'', constata.
É uma tarefa árdua, sobretudo em metrópoles. O fator tempo também é importante. ''Claro que uma pessoa que perde horas no transporte, no trânsito, tem menos oportunidade de se dedicar a uma atividade'', completa. Daí a importância, defende, de que alternativas sejam criadas, sobretudo em bairros menos privilegiados.

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