Quem ainda pensa na Aids como uma sentença de morte não conhece o consultor Edson Bezerra da Silva, 47 anos, coordenador da Comissão Municipal de Controle e Prevenção de DST/Aids e coordenador geral da Adé Fidan, entidade que trabalha com a prevenção e cidadania de gays e travestis em Londrina.
Ele convive com o vírus há 19 anos e nunca deu chance às doenças oportunistas nem precisou ser hospitalizado. Sua resistência, ele deve ao amor pela vida e à fé em Deus. ''Aids nenhuma vai tirar meu sono'', brinca.
Quando descobriu-se portador do vírus, em 1987, ainda não havia tratamento para a doença. ''O diagnóstico do médico era considerado sentença de morte'', recorda o consultor, que foi contaminado por meio de realção sexual.
O susto com a perda de amigos próximos em decorrência da Aids o fez militante em defesa das pessoas que convivem com a doença. Talvez por isso tenha sobrevivido tanto tempo sem precisar tomar o coquetel de remédios que combatem os efeitos do vírus. ''Não sou doente, mas há quatro anos precisei começar a terapia porque a minha imunidade baixou em função do estresse'', conta Edson, que consome diariamente quatro comprimidos diferentes.
Sua rotina diária é bastante ativa, como ele mesmo define. Para melhorar a qualidade de vida, Edson deixou de consumir bebidas alcoólicas e dedica-se a um regime alimentar que o mantém saudável. A principal sequela do coquetel, segundo o consultor, é a lipodistrofia. ''Perde-se massa muscular, o rosto afina e as gorduras se acumulam em alguns lugares do corpo, mas nada que uma cirurgia plástica não resolva'', descreve.
Para Edson, o preconceito ainda incomoda bastante os portadores do HIV. ''No meu caso, que assumi a doença publicamente, ganhei o respeito e a admiração pela minha luta, mas nem todo mundo tem essa sorte.'' (M.G.)

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