Aids chega à terceira idade
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
Quando a Unidade Básica de Saúde do Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte de Londrina) for reinaugurada, no segundo semestre deste ano, os cerca de 40 idosos que participam do grupo de terceira idade da região passarão a receber noções de prevenção e orientação sobre Aids. As oficinas serão ministradas em parceria com a Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia), Secretaria da Mulher e Conselho do Idoso com o objetivo de frear o aumento no número de idosos vítimas da epidemia.
Até poucos anos atrás, era inconcebível relacionar a imagem de um avô ou de uma avó à epidemia. Atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde, 2% dos brasileiros com mais de 60 anos são portadores do vírus. O aumento da expectativa de vida, a melhoria da qualidade de vida na terceira idade e a maior sobrevida dos portadores do vírus HIV contribuíram para esta nova realidade.
Para o geriatra londrinense Marcos Cabrera, a questão ainda é mais grave porque o número de idosos infectados pelo vírus certamente é maior que o divulgado. ''Este é um subdiagnóstico, já que muitas famílias e o próprio idoso escondem que contraíram o HIV'', afirma o médico. Ele observa que, na maioria dos casos, os idosos portadores do vírus têm status social, são produtivos e têm um patrimônio social a defender, o que os impede de admitir a contaminação.
Outro ponto destacado pelo geriatra é que mudou a realidade epidemiológica, mas não mudou a realidade cultural. Os idosos, embora apresentem uma vida sexual ativa, não adotaram o costume de usar preservativos, por exemplo. ''A sociedade assimilou a questão da sexualidade na terceira idade e as drogas para impotência masculina tiveram um importante papel nesta mudança de comportamento mas não assimilou os cuidados preventivos.''
Cabrera lembra também que, no caso dos idosos, há a agravante do tratamento, que torna-se muito mais complicado. Além da menor resistência, os medicamentos têm que ser administrados em conjunto com outros, utilizados para problemas típicos desta fase.
Segundo o infectologista Arilson Akira Morimoto, o aumento significativo no número de idosos infectados com o HIV aconteceu de dois ou três anos para cá. ''A terceira idade está, gradativamente, ganhando importância nas estatísticas de Aids, mas os idosos ainda não foram inseridos nas campanhas de prevenção'', argumenta o médico.
Morimoto explica ainda que, até há uns três anos, a proporção era de 6, 7 homens infectados para cada mulher portadora do vírus. Hoje esta proporção é quase de um para uma. Embora o homem seja mais permissivo e mantenha mais relações fora do casamento, o médico explica que a mulher é mais suscetível ao vírus pelas características do corpo feminino.
Segundo a coordenadora do Programa Municipal de DST/Aids em Londrina, Rosângela Alvanhan, o primeiro caso de Aids na faixa de 50 a 64 anos no município aconteceu em 1984. De lá para cá, foram registrados outros 80 casos. Destes, 50 ocorreram só nos últimos três anos. Já a faixa etária entre 65 e 79 anos, foram registrados 10 casos a partir de 1997, um deles em 2003. ''Independente da faixa etária, as pessoas precisam se conscientizar que a única forma de manter uma relação sexual deve ser com preservativo'', alerta.


