A Associação Londrinense Interdisciplinar de Aids (Alia) chegou aos 18 anos em 2007 e, conforme os últimos números sobre novos casos, vai mesmo precisar de fôlego juvenil para continuar lutando contra o aumento da epidemia na cidade. Segundo os dados recebidos pela coordenação da Organização Não Governamental (ONG) no final de outubro, novas contaminações com o vírus HIV persistem tanto entre os mais jovens quanto entre os mais velhos, um indicativo de que o combate à doença está sendo falho. Até 2006, Londrina já registrou 1.659 casos.
Representante institucional e integrante da Comissão de Prevenção da Alia, Roni Lima reclamou que até as estatísticas sobre a doença estão chegando atrasadas. De acordo com os últimos números recebidos, o Paraná registra de 100 a 130 novos casos da doença ao ano. O grupo jovem (pessoas entre 20 e 49 anos) continua sendo o mais infectado mas é muito preocupante o aumento de casos em pessoas mais velhas.
Lima exemplificou que em Londrina, no grupo acima de 65 anos, por exemplo, o crescimento foi de 138% entre 1985 (registro do primeiro caso) e 2006, chegando a 184 casos (36 apenas no último ano). Ele avalia que fatores como o surgimento de medicamentos contra disfunção sexual, a disseminação de grupos de inclusão voltados para essa faixa etária e a carência de políticas públicas informativas e preventivas contribuíram para tal tendência. ''A Secretaria Municipal do Idoso precisa tematizar esse assunto'', opinou.
O cenário entre os mais jovens (entre 13 e 19 anos) não é menos preocupante. Dentro disso, o que mais chama a atenção é o avanço da epidemia entre as meninas. ''No Brasil, o número de meninas infectadas já supera o dos meninos'', citou o interlocutor da Alia. Sabendo disso, a ONG conseguiu apoio da multinacional Johnson & Johnson e desencadeou o projeto ''Saber para Reagir Adolescente'', que visa capacitar 1,2 mil adolescentes da cidade para atuarem como multiplicadores entre os colegas das informações vitais sobre prevenção de DST/Aids, sexualidade, direitos sociais, etc. ''O jovem precisa falar de sexo de maneira natual mas ele ainda tem vergonha de conversar com os pais'', argumentou a empreendedora social da Alia, Madalena Gonçalves Vieira.
Lima também criticou o fato de que bebês ainda continuam sendo infectados pelo vírus HIV, mesmo com todos os mecanismos à disposição para evitar a contaminação, tanto durante o parto quanto após o nascimento. Na área da 17 Regional, em 2006, foram confirmados 99 casos da infecção em 2006, sendo que dois deles eram de recém-nascidos.
É por saber de tudo isso que a Alia estabeleceu como ação prioritária para 2008 a construção de sua sede própria em um terreno doado pela iniciativa privada na Zona Norte. ''A sede nova terá o papel de ser um centro de educação para a cidadania, de aperfeiçoamento e de busca das garantias e direitos sociais e humanos'', enumerou Lima. Atualmente, com as parcerias, doações e ''ações entre amigos'' - como a cesta de cosméticos que foi sorteada ontem para arrecadar fundos e teve como ganhadora uma funcionária da Embrapa - garantem a execução de três projetos na Zona Norte.

SERVIÇO - Quem tiver interesse em saber mais sobre DST/Aids, sobre a Alia e os projetos que ela desenvolve, fazer doações ou obter outras informações pode acessar o site www.alia.org.br ou ligar para (43) 3328-5967.

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