Agulhas causam acidentes graves
Londrina - No barracão Centro A, na Vila Marízia (área central de Londrina), mesmo com a primeira triagem, as mulheres incumbidas de fazer a separação ainda encontram diversos materiais inadequados, nas duas triagens seguintes. Depois de uma separação rápida, os sacos são colocados nas baias, onde outras trabalhadoras fazem a triagem final, de cada material e dos rejeitos. Alguns deles oferecem sérios riscos à saúde das catadoras, como as agulhas descartadas com seringas.
Lucivane Gomes trabalha há apenas nove meses como catadora e já se feriu dessa maneira. "Estava trabalhando nas baias quando acabei pegando uma seringa e a agulha atravessou a luva. Fui para o hospital, fiz diversos exames e me deram o coquetel antiaids. Agora que os exames deram normal, parei com o tratamento. Mas procuro prestar mais atenção, porque é comum encontrar agulhas e cacos de vidro", contou. Ângela Hilário Soares, coordenadora do entreposto, diz que pelo mais três catadoras se feriram com material perfurante ou vidro.
Do material que chega ao barracão, ela calcula que aproximadamente 10% sejam rejeitos. "A população ainda manda as embalagens sujas e muitas vezes não podemos aproveitar. Como sabemos a cada dia de que bairro veio o material, pedimos que o pessoal da rua converse com os moradores. Também fizemos uma campanha, a Reciclagem nota 10 e já percebemos que melhorou um pouco. Acho que falta conscientização, mas algumas pessoas têm mesmo preguiça e separar. Também percebemos que no período em que não havia o saco verde, os moradores passaram a separar menos. Mas recolhemos independente da embalagem", garantiu. (E.G.)





