Agulha espetada em dedo causa amputação
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quinta-feira, 12 de maio de 2005
Vanessa Navarro<br> Reportagem Local 
A auxiliar de odontologia Marilza Aparecida da Silva, 34 anos, nunca imaginou que um acidente aparentemente simples, ocorrido com grande frequência entre profissionais de saúde, pudesse ter uma consequência grave como a que ela sofreu. Marilza espetou o dedo mínimo da mão em uma agulha de anestesia no último dia 3, após atender uma criança no Centro de Atendimento Integral à Criança (Caic) da Zona Sul de Londrina. Hoje está internada na Santa Casa aguardando para ter o dedo amputado.
''Entre médicos, enfermeiros, auxiliares, não há um que nunca tenha se furado. Acontece todos os dias'', afirmou Marilza no hospital, de onde concedeu entrevista na tentativa de alertar outros profissionais a tomar mais cuidado com esse tipo de acidente. ''Eu estava usando proteção e apenas esbarrei o dedo na agulha. Nem sangrou. Tirei as luvas, passei álcool e nem dei muita importância, não fui atrás de exames.'' O incidente ocorreu na manhã de uma terça-feira.
No dia seguinte, a auxiliar sentiu dores na mão direita e febre. Ela lembra que todo o braço começou a inchar, a unha do dedo lesionado foi escurecendo e, na madrugada de quarta para quinta-feira, resolveu procurar um hospital. ''Já não suportava mais, pedia para cortarem minha mão de tanta dor'', observou. Após a realização de exames infectológicos e vasculares, o parecer da equipe médica foi de que não havia outra saída senão amputar o dedo. ''O pessoal da rede de saúde está de queixo caído, com medo. As pessoas precisam saber que um acidente simples pode ser muito perigoso'', alertou Marilza.
O infectologista Edson Anzai, da Santa Casa de Londrina, que atendeu a paciente, explicou que ela sofreu celulite necrotizante, um quadro infeccioso provocado por uma bactéria que causa necrose no local atingido. De acordo com Anzai, o problema é mais comum em pessoas idosas e pacientes com sistema imunológico debilitado, sendo que é raro acontecer em decorrência de acidentes com material biológico. ''A amputação foi inevitável porque a infecção atingiu uma extremidade. Se fosse no meio da coxa, por exemplo, seria mais fácil tratar'', assinalou.
A agulha que contaminou Marilza havia sido utilizada para drenar pus no pé de uma criança. Anzai esclareceu que, provavelmente, havia uma bactéria comum no ferimento do menino, que não lhe causou maiores problemas, mas, na auxiliar, provocou uma reação. Para o infectologista Ian Walter Stegmann, do Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi) do Município, um acidente dessa natureza poderia ter sido causado por qualquer outro material, como um simples espinho, por exemplo. Até ontem, o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) não havia sido notificado oficialmente do acidente.


