A Comissão Processante (CP) da Câmara de Londrina emitiu ontem notificação ao vereador Jaci Aguiar (PDT) informando-o de que os trabalhos de investigação já tiveram início e que ele tem 10 dias para apresentar sua defesa. A comissão analisa denúncias de que Aguiar teria participado de um esquema de achaque contra cooperativas de leite de Londrina (Cativa) e Apucarana (Central Norte).
Na tarde de ontem, não havia confirmação se ele teria recebido ou não o comunicado. A primeira informação era que o vereador havia se negado a recebê-lo. O fato levou o presidente da CP, Flávio Vedoato (PTB), mais uma vez, a reclamar da falta de um assessor jurídico para acompanhar os trabalhos da comissão.
‘‘Esbarramos em problemas que não temos conhecimento jurídico para resolver. Se o vereador Jaci Aguiar não recebe a notificação temos que encaminhar um requerimento à Mesa Executiva pedindo providências, o que poderia ser evitado’’, comentou Vedoato.
Os advogados da Câmara estão impedidos de assessorar a CP. Dois deles, o procurador Antonio Carlos Vianna e o advogado Mauro Martiniano, defendem Aguiar na Justiça comum. A advogada Marli de Melo Paiva pediu afastamento do caso alegando problemas médicos na família, o que pode levá-la a se ausentar em algumas ocasiões.
Jaci Aguiar resolveu quebrar o silêncio e falar com a imprensa ontem - antes ele havia dado entrevista apenas para uma emissora de rádio e uma de TV. ‘‘Isso é como um jogo de palavras cruzadas e a cada momento tem um lance,’ justificou
Aguiar afirmou que está sendo vítima de uma armação política. ‘‘Não tenho vínculo com essa palhaçada. Sou inocente. Isso tudo é uma armação política de vereadores, que fazem isso por inveja, atritos políticos’’. Aguiar não quis entrar em detalhes sobre o que classifica como ‘armação política’ e tampouco falou quem são os vereadores que fariam parte da tal armação. ‘‘Vou falar tudo isso na CP e só na CP’’.
Ele ainda acrescentou que está passando meses de pavor e que toda a sua família está sofrendo muito com a atual situação. ‘‘Eles enlamearam minha vida pública’’, disse. Segundo Aguiar, só Deus e as urnas podem tirar-lhe o mandato. ‘‘Como a Câmara vai me cassar se não tem uma prova contra mim? O que eu fiz? Não cometi nenhum ato que pudesse ser alvo de punição’’.
Aguiar informou que já enviou cópia da notificação, por fax, aos advogados Romeu Bacelar e Renato Andrade, ambos de Curitiba, que o defenderá perante a Câmara. Os advogados devem apresentar a defesa por escrito nos próximos 10 dias. A acusação contra Aguiar também está sendo analisada pela Justiça comum.

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