Aguiar também pode ser punido pela Mesa
O vereador Jaci Aguiar (PDT) poderá ser punido pela Mesa Diretiva da Câmara por falta de decoro parlamentar por ter concedido entrevista a uma emissora de rádio da cidade. Na entrevista, ele afirmou que a Câmara, em vez de prosseguir na tentativa de cassação de seu mandato, deveria investigar e penalizar vereadores que receberam indevidamente cheques de pagamentos de salários de funcionários de empresas públicas e que barganham seus votos por obras.
Na entrevista, as acusações foram genéricas e, em nenhum momento, Aguiar citou nominalmente os vereadores que estariam incorrendo em falta de decoro. Ouvi a fita com a gravação da entrevista e não gostei. Para este tipo de conduta cabe uma das três punições: advertência verbal, advertência por escrito, ou pedido de retratação, afirmou o presidente da Câmara, Renato Araújo (PPB).
Ele adiantou que a Mesa Diretiva se reúne, na tarde de hoje, para definir qual a punição será imposta ao vereador. O Jaci pegou pesado. Ele ofendeu toda a Câmara, enquanto instituição, ao fazer uma denúncia séria sem citar o nome dos acusados, ressaltou Araújo.
Ao citar na entrevista um vereador que recebeu cheques de salários de funcionários, possivelmente Jaci Aguiar estava referindo-se ao seu colega de partido, Orlando Bonilha que, no ano passado foi acusado desta irregularidade no caso que ficou conhecido como escândalo da Comurb. O caso, que foi investigado por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara, era relativo à contratação irregular de 212 funcionários - alguns indicados por veradores - pela Companhia Municipal de Urbanização (Comurb).
A CEI da Câmara, presidida por Flávio Vedoato (PTB), sugeriu ao plenário - o que foi acatado pela maioria dos vereadores - o arquivamento do processo por falta de provas concreta contra os acusados: Bonilha e outros quatro vereadores. O caso também prossegue sendo investigado pela Justiça.
Este tipo de comparação entre as duas comissões - a antiga CEI e a nova Comissão Processante - e os dois casos, feita pelo Jaci Aguiar é descabida e só atrapalha, tumultua o processo de investigação e esclarecimento dos fatos, rebateu ontem Vedoato. Apesar da liberdade para se pronunciar sobre o que quiser, pedirei ao Jaci para que se atenha ao seu caso presente. No caso da CEI da Comurb, fomos orientados para aquele encaminhamento pela assessoria jurídica da Câmara, e a decisão final coube ao plenário. Agora, na nova CP, teremos este mesmo procedimento.
Jaci Aguiar, que participou da sessão de ontem, negou-se a comentar o assunto com jornalistas. (O.C.)





