Aguiar depõe e diz que foi vítima de 'armação' política
Lucilia Okamura
Estou tranquilo porque acredito na Justiça. A declaração foi dada ontem de manhã, no Fórum de Londrina, pelo vereador Jaci Aguiar (PDT), após prestar depoimento à juíza-substituta Oneide Negrão sobre o caso conhecido como escândalo do leite. Aguiar é acusado, com outras três pessoas, de tentativa de extorsão contra cooperativas de leite da região.
O caso que originou a ação teve início em abril do ano passado, quando diretores da Cooperativa Cativa, de Londrina, (Osmar Buzinhani e Alfredo de Carvalho) procuraram a Câmara de Vereadores para fazer uma denúncia. Segundo eles, Fredemax Mota, José Rojas Gavilan e Aristeu Neves Rodrigues teriam pedido R$ 80 mil para que não fosse divulgado o resultado de laudos do Instituto Adolfo Lutz (SP), que reprovava o leite tipo C da Cativa e da Cooperativa Central Norte, de Apucarana. Os laudos teriam sido feitos a partir de requerimento de Aguiar.
O vereador compareceu à 4ª Vara Criminal acompanhado do advogado Antônio Carlos Vianna. Sem detalhar, Aguiar disse que respondeu a todas as perguntas feitas pela juíza. É óbvio que neguei (acusações) porque não tenho nenhum envolvimento com este episódio, afirmou.
Aguiar relatou que nenhum dos três acusados foi seu assessor e afirmou que não conhecia os diretores da Cativa. Nunca telefonei ou conversei com eles. Ele admitiu ter pedido os exames de análise do leite e afirmou: Se estou envolvido, todos os vereadores também estão porque o meu pedido foi aprovado por unanimidade na Câmara, disse.
O vereador comentou também sobre a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara que analisa o caso e não economizou críticas. Na sua opinião, a instauração da comissão foi uma armação política, uma verdadeira cachorrada de alguns vereadores.
O vereador não citou nomes, disse apenas que a armação foi liderada pelo ex-presidente da Casa, vereador Adalberto Pereira (PFL). Como a mão de Deus é pesada, todos pagarão caro pelo que fizeram comigo, concluiu. A Folha ligou para Pereira, mas ele preferiu não se pronunciar.





