O vereador Jaci Aguiar (PDT) apresentou ontem sua defesa à Comissão Processante da Câmara de Londrina que analisa o pedido de cassação de seu mandato. A comissão tem cinco dias para emitir parecer, opinando pelo prosseguimento da denúncia ou pelo arquivamento. ‘‘Continuo absolutamente tranquilo. Quem tem que provar a falta de decoro são eles’’, disse Aguiar.
O vereador argumentou que armação contra ele é uma ação criminosa. ‘‘Meus advogados pediram a quebra do sigilo bancário e fiscal dos acusadores, inclusive dos membros da Comissão Especial de Inquérito (CEI)’, revelou.
Se a Comissão decidir pelo arquivamento, a proposta deve ser votada pelo plenário. Se a decisão for pelo prosseguimento, abre-se a fase de produção de provas. Jaci Aguiar foi denunciado por falta de decoro parlamentar pelo suposto envolvimento no caso que ficou conhecido como ‘‘Escândalo do Leite’’.
O caso se tornou público em abril do ano passado, quando o presidente da Confepar e da Cativa, Osmar Buzinhani, e Alfredo de Carvalho, diretor da Cativa, denunciaram três assessores da Câmara de Londrina por prática de extorsão contra a Cativa e a Cooperativa Central Norte, de Apucarana.
Segundo eles, Aristeu Neves Rodrigues, assessor de Alvair de Souza (PL), Fredemax Mota, assessor de Jaci Aguiar (PDT) - suplente de vereador que ocupava vaga de Moysés Leônidas (PDT), na época secretário municipal - , e José Rojas Gavilan, assessor de Beto Scaff (PSDB), teriam tentado extorquir R$ 80 mil (R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte) para que não fosse divulgado o resultado de laudos do exame que reprovava o leite tipo C das cooperativas. Os laudos teriam sido feitos a partir de requerimento de Jaci Aguir.
Os promotores da Promotoria de Investigação Criminal (PIC) fizeram denúncia contra os assessores, Jaci Aguiar e José Theodoro (vice-prefeito de Apucarana e que teria participado dos contatos com a Central Norte). O juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, acatou o pedido, e deve começar a ouvir os acusados neste mês.
O vereador disse ontem que sua defesa contém esclarecimentos. ‘‘Não fui acusado de nada. Dizem que faltei com o decoro parlamentar, mas não revelaram o que fiz’’. De acordo com Aguiar, o arrazoado (argumento de defesa) apresenta alguns esclarecimentos e demonstra que a denúncia é inepta porque não apresenta a ação do vereador que poderia caracterizar a falta de decoro parlamentar.

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