Águas passam por cima da barragem de Caxias
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segunda-feira, 13 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
O Rio Iguaçu atingiu no final de semana vazão de 13.100 metros cúbicos por segundo, dez vezes superior à sua média histórica na região da Hidrelétrica de Salto Caxias, entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu. Segundo o engenheiro Walmor Eggert, chefe do Departamento de Implementação da Copel, a média histórica era de 1.246 metros cúbicos. A água passou por cima da barragem, na parte central, onde falta a complementação de obras.
Ontem, a vazão estava em 11.820 metros cúbicos por segundo, e havia perspectiva de que continuasse a baixar. Ondas de dez metros de altura formaram-se na parte posterior da barragem - de 1.083 metros de comprimento -, onde estão as adufas, estrutura que permite controlar o escoamento da água.
Choveu muito ao longo de todo o Rio Iguaçu nas últimas semanas, uma das consequências do fenômeno El Ni¤o (aquecimento das águas do Oceano Pacífico na costa do Peru). No ano passado, a vazão do rio havia chegado a 12 mil metros cúbicos por segundo.
As obras da hidrelétrica não sofreram prejuízo, porque a Copel utiliza em Salto Caxias (pela primeira vez em projetos do gênero) um sistema denominado dique-fusível. Trata-se de uma pequena barragem provisória, no interior da estrutura principal, que contém a força das águas e funciona como ladrão para o escoamento.
Cerca de 2,8 mil operários trabalham na construção da Usina de Salto Caxias, que custará R$ 1 bilhão e gerará 1.240 MW de energia. As obras foram iniciadas em janeiro de 95, mais de 60% da parte civil estão completados e cerca de 8% da parte eletromecânica montada. O cumprimento do cronograma, em alguns casos até com adiantamento, permitirá a operação da primeira das quatro turbinas até dezembro do próximo ano, e a cada três meses outra unidade será acionada.


