Bairros alagados, animais mortos e muito prejuízo. Em Jataizinho (21 quilômetros a leste de Londrina), os moradores estão sem água, parte da cidade não tem energia elétrica, a Prefeitura teve que alojar várias famílias no ginásio de esportes e algumas ruas só podem ser percorridas com uso de barcos. Com a chuva dos últimos dias, a água do rio Tibagi subiu sete metros acima do nível normal e alagou as partes mais baixas da cidade.
Ontem pela manhã, os moradores próximos da rua Curitiba, que fica numa baixada, observavam a situação das águas que, segundo eles, nunca chegaram a um nível tão elevado. As casas começaram a ser atingidas no começo da noite de anteontem e o nível das águas chegou ao ponto mais alto durante a madrugada, arrastando móveis e objetos que não puderam ser removidos.
Pela manhã, vários moradores que deixaram as casas durante a noite retornaram para tentar limpar as paredes, que tinham o sinal das águas. ‘‘Se Deus quiser volto para cá amanh㒒, disse o morador do número 184, Norberto Martiene.
Francisco Martins, 66 anos, que mora há 20 anos na rua Barão de Antonina, se lembra das enchentes ocorridas em 83 e 90. ‘‘Em nenhuma delas as águas chegaram a subir tanto quanto agora’’, compara. ‘‘Passamos essa noite vigiando porque se o rio não parasse de subir a gente tinha que sair também’’, comentou outra moradora próxima à rua Curitiba.
As ruas alagadas acabaram virando uma atração. Pelas esquinas, moradores se aglomeravam para comentar a situação e observar móveis e objetos que boiavam nas águas. A parte mais prejudicada foi a Vila Frederico, onde era possível ver somente o telhado das moradias. Os moradores se abrigaram na casa de parentes e amigos.
Várias chácaras também ficaram alagadas. Os moradores próximos contam que em algumas os proprietários não tiveram tempo de levar os animais para as partes mais altas. Muitos cabritos e galinhas morreram afogados. A Prefeitura não tem ainda uma estimativa dos prejuízos.
A chuva que cai inunterruptamente desde o início da semana inundou anteontem várias propriedades rurais localizadas nas margens do rio Tibagi, em Ibiporã. Pastos e plantações foram perdidos. Os moradores das chácaras tiveram que deixar as casas. Para salvar os animais, levados para sítios vizinhos, foram usados botes e carroças.


Vazão da usina
de Capivara
passou para 7 mil
metros cúbicos



Já o trecho da PR-445 (Londrina-Mauá da Serra) que ficou interditado anteontem por causa do transbordamento das águas do ribeirão dos Apertados, que invadiram cerca de 200 metros da pista, voltou a ser utilizado ontem. Segundo informação da 2ª Companhia da Polícia Rodoviária, a situação estava normal pela manhã. ‘‘Mas se chover muito na cabeceira do ribeirão, a via corre o risco de ser bloqueada de novo’’, observou o policial Lacerda.
Em Porecatu, o nível de represamento da usina Capivara, da Companhia Energética de São Paulo (Cesp), também subiu e foi necessário aumentar a vazão do vertedouro em 40% de sua capacidade. Com isso, de ontem para hoje a vazão da Usina passou dos cinco mil metros cúbicos de água excedente por segundo para sete mil e quinhentos.
A vazão da água acabou inundando alguns pastos na região, além de inviabilizar a pescaria nas margens do rio Tibagi. Segundo o engenheiro Dimas Maintinguer, responsável pela usina, o alagamento já é previsto em situações de muita chuva e por isso a área atingida foi desapropriada pela Cesp. ‘‘Mas como não existe um controle tão rígido esse espaço acaba sendo ocupado’’, observa.
O engenheiro acredita também que o nível do lago deve começar a baixar nos próximos dias, com a diminuição das chuvas. Enquanto isso não ocorre, permanece o belo espetáculo proporcionado pelas águas passando pelo vertedouro da usina Capivara.

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