Josoé de CarvalhoQualidade medidaA professora Maria Josefa Santos Yabe, da UEL, coordena projeto que analisa a água do ribeirão LindóiaA professora do Departamento de Química da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Maria Josefa Santos Yabe é coordenadora do programa de extensão denominado ‘‘Química e Urbanização’’, que pesquisa e analisa as interferências da zona urbana moderna na vida aquática. O programa - que conta com mais duas professoras e seis estudantes - teve início há dois anos e coleta mensalmente amostras de água em quatro dos cinco principais ribeirões que banham a Cidade - a única exceção é o Cafezal (zona sul).
No ribeirão Lindóia, as coletas são feitas em três pontos. Um deles fica justamente na ‘‘lagoa do Paraíso’’, onde será formado o lago número 2 do projeto do Ippul para a zona norte da Cidade. Os outros dois pontos estão abaixo do conjunto João Paz, onde ficará o último lago, o número 5. ‘‘As análises mostram que a qualidade da água naquela lagoa é uma das melhores do Lindóia. Podemos considerá-la razoável, própria para as crianças nadarem. Com um tratamento adequado, se tornaria própria para o consumo humano’’, afirma Maria Yabe.
Segundo ela, isso se deve ao fato de que as poucas indústrias localizadas acima daquele ponto estão a mais de 2 quilômetros. ‘‘Neste percurso, a própria água corrente se recupera dos possíveis lançamentos clandestinos de esgotos’’, comenta a química da UEL, lembrando que atualmente as águas estão barrentas em consequência das últimas chuvas. ‘‘Como o solo está sendo preparado para o plantio e descoberto, e há poucas árvores nas margens, as enxurradas acabam levando muita terra para o ribeirão.’
Maria Yabe diz considerar positiva a proposta da construção de lagos no Lindóia, mas faz uma ressalva: ‘‘Antes, é necessário fiscalizar e combater com rigor o despejo clandestino de esgotos industriais e domésticos no ribeirão; além de investir pesado na recuperação e revitalização das margens, com a drenagem das várzeas e plantio de árvores.’
A pesquisadora da universidade afirma que é necessário fazer no Lindóia o mesmo trabalho de recuperação, fiscalização e investimento iniciado nos lagos Igapó há mais de 15 anos. ‘‘Fico meio temerosa, porque o projeto é grande e certamente enfrentará dificuldades, como o esgoto clandestino. Mas, se tudo foi feito com critérios e cuidados técnicos, valerá a pena este investimento. Afinal, não é só a população do centro que merece ter belos e importantes lagos.’
(Osmani Costa)

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