Maigue Gueths
De Curitiba
O Sindicato dos Empregados nos Correios do Paraná (Sintcom-PR) denunciram ontem ao Ministério Público que a água disponível na sede da empresa, em Curitiba, pode estar contaminada. Para reforçar a reclamação, a entidade mostrou à imprensa duas larvas captadas da torneira de um bebedouro instalado no 3º andar do prédio. Segundo o secretário geral do Sintcom, Dany Alexandre, os trabalhadores vêm reclamando da existência desses ‘‘bichinhos’’ há mais de um mês.
Em 21 de fevereiro, a entidade entregou fotografias das larvas à diretoria regional da empresa e solicitou exames laboratoriais. Foi solicitada ainda orientação aos funcionários para que não bebessem a água e fornecimento de água mineral até que o problema fosse sanado. Nenhuma resposta foi recebida.
‘‘Eles só lacraram os bebedouros por um tempo, mas parece que não resolveu nada porque na manhã de terça essas larvas caíram do bebedouro de novo no copo de um funcionário’’, reclamou Alexandre. O assessor de Relações Sindicais dos Correios, Marcos Francisco Kunitz, garante que, assim que tomou conhecimento do problema, a empresa solicitou análise da água, das caixas d’água e dos bebedouros à Sanepar, ao Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
‘‘Ninguém achou problema nenhum, os laudos mostraram que a água é potável. O laudo do IAP diz que é um inseto não nocivo, de nome científico Psychoda, a conhecida mosquinha de banheiro’’, afirmou. De acordo com o IAP, o exame solicitado pelos Correios ao instituto não indica a qualidade da água, apenas a existência da larva. Depois do parecer emitido no início do mês passado, o IAP sugeriu que os Correios fizessem a análise bacteriológica, o que não foi acatado.
De acordo com Marcos Kunitz, o IAP analisou as condições ambientais e não encontrou condições apropriadas para a reprodução de moscas, a Sanepar analisou os pontos de coleta, das caixas aos bebedouros, onde existem três sistemas de filtragem e atestou que a água está perfeita, assim como o Tecpar. Ele lembra, entretanto, que só foram encontradas larvas em um bebedouro do prédio, no 3º andar. ‘‘Deve ser um problema localizado, quem sabe a mosca está depositando os ovos só na bandeja desse bebedouro’’, disse, garantindo que o equipamento será lacrado de novo.
Ontem, um técnico da Sanepar voltou ao prédio dos Correios para vistoriar as instalações do local. Segundo a Sanepar, foi constatado que a caixa d’água é vedada, e que o problema pode estar sendo provocado por contaminação local, já que alguns funcionários utilizam bebedouros para escovar os dentes, lavar as mães e louças. A empresa vai coletar ainda amostras de todos os pontos de água do prédio e da caixa d’água. O resultado dos laudos será divulgado na segunda-feira.

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