Dorico da SilvaSem torneiraTerreno ocupado na zona sul: famílias têm dificuldade em obter água; única fonte disponível gera doençasAs famílias que ocupam um terreno da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab) nos fundos do conjunto São Lourenço (zona sul) estão reclamando da falta de uma torneira comunitária. Segundo eles, a Sanepar se comprometeu a instalar a torneira há vários meses, mas até agora não cumpriu a promessa. Por enquanto, os invasores usam água de uma mina que, afirmam, está causando vários problemas, como dor de barriga e alergias na pele.
Ao todo, 45 famílias foram transferidas para o terreno, em novembro do ano passado. Anteriormente, eles haviam invadido uma área que também fica no São Lourenço, mas que foi considerada pela Cohab imprópria para moradia, por ser uma encosta de morro. A Cohab conseguiu a reintegração de posse da área e convenceu os invasores a mudar para um outro local.
O presidente da associação que reúne os sem-teto da área, Marcos Aureliano Rodrigues, diz que, desde o dia da transferência, as famílias usam água de uma mina para lavar roupas, tomar banhos e até beber. ‘‘Mas há dois meses começamos a perceber que a água estava causando problemas’’, relata. Segundo ele, algumas pessoas começaram a ter dor de barriga, cólica e coceira.
A desempregada Dalva Macedo dos Santos, 23 anos, acredita que sua filha Carina, de 10 meses, está com problemas na pele por causa da água, usada somente nos banhos. ‘‘Para ela beber, peço água da torneira para os moradores do bairro.’’
Marcos Rodrigues informa que, em novembro, a Cohab enviou requerimento à Sanepar solicitando a instalação de uma torneira comunitária para atender os sem-teto. ‘‘Eles (Sanepar) queriam colocar o cavalete no campinho, que fica a uns 100 metros do assentamento. Mas a gente não quer porque todo domingo tem torneio de futebol e eles podem usar a água.’’
Para resolver o problema, Marcos Rodrigues conta que pediu aos técnicos da Sanepar que instalassem a torneira em um local mais próximo ao assentamento. ‘‘Falaram que a gente ia ter que pagar R$ 1 mil para ‘puxar’ a torneira para mais perto.’’ Ele acredita que a Sanepar não quer instalar o cavalete temendo que os moradores não paguem a conta. ‘‘Mas as pessoas são honestas e não vão dar o calote’’, observa Rodrigues.
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, afirma que a demora para fazer a ligação de água se deu porque Marcos Rodrigues, responsável pela torneira comunitária, só assinou o termo de responsabilidade na semana passada. Sobre a possibilidade de instalar a torneira mais próxima do assentamento, Paulo Kishima confirma que os moradores precisam pagar pela extensão. ‘‘E mesmo que eles se comprometam a pagar, eu tenho que conversar com a Cohab, para ver se autoriza, porque ela é a proprietária do terreno.’’

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