Em tempos de polêmica sobre a construção de novas usinas hidrelétricas no rio Tibagi, os alunos do curso técnico em meio ambiente do Colégio Estadual Albino Feijó Sanches, que fica no Parque das Indústrias (Zona Sul), tiveram uma aula especial sobre economia de energia elétrica, preservação ambiental e benefícios para a população de baixa renda.
No programa da aula, uma atividade prática: montar um aquecedor solar alternativo, feito de material reciclável. Na lista de materiais necessários para montar o equipamento, nada de sofisticado ou de alta tecnologia, apenas alguns metros de canos de PVC, tinta preta e 240 garrafas pet e caixas de leite vazias. Custo total: R$ 200,00, muito menos do que é gasto para comprar um aquecedor convencional, cujo preço varia entre quatro e seis mil reais.
''Vamos montar um protótipo para que os alunos visualizem como é feito o equipamento. Depois forneceremos o material didático para que eles tenham condições de aplicar o projeto na comunidade'', explicou Elzo Carreri, superintendente regional da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).
Segundo ele, quem instalar o aquecedor terá água quente no chuveiro, mesmo nos dias mais frios, sem gastar energia elétrica. ''A temperatura da água chega a 50ºC nos dias de verão e não será inferior a 37ºC no inverno. Algumas famílias de Curitiba já estão utilizando o sistema e tiveram uma redução de 30% na conta de energia elétrica''. garantiu Carreri.
Ainda na fase de execução do protótipo, os alunos se mostravam empolgados e ansiosos para colocar em prática o inusitado sistema de aquecimento. Um dos ''caçulas'' da turma, Tiago Gonçalves Fontes, de 15 anos, aluno do curso que integra o ensino médio com o de técnico em meio ambiente, espera ajudar famílias pobres do bairro onde mora, o Jardim São Lourenço, também na Zona Sul, implantando o aquecedor.
''Acho que esse sistema vai dar certo. Quero ajudar as pessoas a instalarem em suas casas. Além disso, percebo que nem todos cuidam do meio ambiente. Esse projeto também vai ajudar a tirar lixo da rua. Quero garantir um planeta saudável para o meu futuro'', contou o estudante.

Como funciona o sistema
O aquecedor solar alternativo foi criado pelo comerciante catarinense José Alcino Alano, em 2002, e já atende, com sucesso, diversas famílias em Santa Catarina e também em Curitiba, primeira cidade do Paraná que teve o sistema implantado e que a Sema pretende espalhar por todo o estado.''Imagine a redução de consumo de energia que teremos se colocarmos esse aquecedor em milhares de residências'', disse Carreri.
Ele explicou que nas caixas d'água de todas as casas, o líquido mais quente concentra-se na parte superior. O sistema de aquecimento solar alternativo capta esse líquido que, por meio de canos de PVC, passa entre uma ''placa'', feita com as garrafas pet e com as caixas de leite - que ficam sobre o telhado e expostas ao sol - e retorna mais quente ainda para o reservatório.
O morador instala dois encanamentos. Um capta água fria do fundo da caixa e outro a água quente da parte superior. ''É possível ter água quente no chuveiro sem instalar nenhum fio elétrico'', finalizou Carreri.

Serviço:
Escritório da Sema em Londrina, fone (43) 3324-0991

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