Água que cai do céu abastece residência
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terça-feira, 16 de janeiro de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Iniciativas particulares para poupar água potável vêm aos poucos se disseminando e acendem a esperança de que o meio ambiente possa ter salvação pelas mãos do homem. Em um dos bairros mais novos de Londrina, o Jardim Monte Sinai (Zona Leste), um morador chamou a atenção ao criar seu próprio sistema de aproveitamento de chuva e estilizar a engenhoca.
Quem passa na Rua Cecília César pode ver a menina dos olhos do consultor de empresas Paulo Fernando de Oliveira, 37 anos. Um poço coberto com tampa de peroba e telhadinho, à moda bucólica dos antigos, ostenta o jardim do imóvel onde moram Paulo, esposa, sogra, três filhos e três cachorros. ''Virou um ponto de referência. As pessoas até desaceleram o carro quando passam em frente ao portão, para ver melhor'', gaba-se.
Parte fundamental da obra, porém, esconde-se embaixo da atração. Uma cisterna de cinco metros de profundidade armazena até 5,5 mil litros de chuva, coletada nos quase 30 metros de calhas que contornam o telhado da residência. Com a ajuda de uma pequena bomba, a água é distribuída para a caixa que abastece os cômodos da frente, de 1 mil litros, e a dos fundos, com a metade da capacidade. O nível de água é monitorado por meio de uma linha de nylon afixada na parede externa da casa, cujo contrapeso é uma bóia de pescar com chumbada, que fica no interior da cisterna.
Toda essa engrenagem saiu da cabeça de um homem sem formação universitária ou curso técnico em engenharia. Paulo é consultor de frigoríficos. ''O que aprendi foi na raça, mesmo cometendo alguns erros. Da primeira vez, o poço estourou e gastei R$ 800 na reforma'', lembra. ''Todo mundo ficou horrorizado quando ele começou, ninguém botou fé. Mas deu certo e eu achei bem legal, nunca tinha visto um poço antes'', diz a filha Layana, de 14 anos.
Concluído em julho de 2006, o sistema de aproveitamento pluvial atravessou a estiagem quase sem uso, mas recompensou a família durante a falha no abastecimento da Sanepar registrada em dezembro. ''Enquanto os vizinhos se desesperavam, a gente lavava o quintal. Naquela ocasião, até tomei banho com a água da cisterna'', revela. Em situações normais, a água de chuva é usada apenas para lavar roupas e dependências do imóvel, além de servir as caixas de descarga de três banheiros.
A conta de água também já ganhou um alívio (leia mais nesta página), mas o morador garante: é ao meio ambiente que mais deseja dar fôlego. ''Não fiz pensando no retorno financeiro. Você vê todo dia na mídia o apelo de que a água potável vai acabar e, poxa, a água da chuva tá vindo de graça para a gente! Por que desperdiçar?'', interroga. Responda quem puder.


