Água poluída causa doenças em índios
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 08 de abril de 1999
Valmir Denardin 
A água consumida pelos índios avá-guarani da reserva Tekoha A¤etetê, localizada entre os municípios de Diamante do Oeste e Ramilândia (no Extremo-Oeste do Estado), está contaminada por coliformes fecais e coliformes totais, bactérias encontradas nas fezes de humanos e outros mamíferos. A contaminação está provocando doenças intestinais nos 150 habitantes da reserva, principalmente nas crianças.
A poluição da água foi constatada em análises feitas pelo Instituto Ambiental do Paraná (Iap). Em novembro do ano passado, foram coletadas amostras em 11 fontes de captação - dez nascentes e um poço -, em diferentes pontos da reserva. Em todas elas, foram encontradas bactérias.
Segundo a bióloga Jussara Nascimento Hickson, da regional do Iap em Toledo - unidade responsável pelos dois municípios -, a contaminação das fontes de água é causada pela falta de saneamento na reserva. Não há sanitários adequados nas casas da aldeia. Com as chuvas, fezes de pessoas e animais acabam sendo levadas para os reservatórios.
As consequências principais são infecções e problemas intestinais - como gastrointerite, diarréia, vômitos e febre. Quando a situação não é grave, tratamos com remédio caseiro mesmo, contou à Folha o cacique Agostinho Martins, de 37 anos, principal liderança social e política da aldeia. Na reserva moram 150 índios, dos quais 80 são crianças.
A Secretaria de Saúde de Diamante do Oeste (150 quilômetros ao norte de Foz do Iguaçu) informou que o único hospital (particular, com 20 leitos) e os dois postos de saúde do município atendem uma média mensal de cinco consultas e dois internamentos de índios com problemas intestinais.
O problema existe, mas não se trata de uma epidemia, disse ontem o secretário de Saúde, Clovis Rodrigues Leal. É praticamente o mesmo índice proporcional de atendimentos feitos à população da área urbana, que recebe água tratada. O município tem cerca de 5 mil habitantes.
Segundo o secretário, a prefeitura já solicitou várias vezes recursos à Fundação Nacional do Índio (Funai) e ao governo do Estado para a construção de poços artesianos e abastecedouros comunitários na reserva, mas esses órgãos alegam que faltam verbas.
A reserva Tekoha A¤etetê (aldeia verdadeira, em guarani) possui 1.744 hectares - boa parte de mata nativa - e foi comprada pela Itaipu Binacional para assentar parte dos avá-guarani que viviam na margem esquerda do Rio Paraná. A área foi inundada em 1982, com a formação do lago da Hidrelétrica de Itaipu. A conquista da terra definitiva durou 15 anos e só se concretizou há dois anos, em 18 de abril de 97.


