A disponibilidade de água para a Região Metropolitana de Curitiba pode se esgotar em menos de 50 anos. A previsão é otimista, pois leva em conta que até lá todos os mananciais - hoje ainda em condições de serem utilizados - possam ser aproveitados como fontes de abastecimento. No entanto, se for considerado o cenário de degradação a que estão sujeitas as áreas de mananciais, o tempo de vida dos rios certamente será bem menor.
A avaliação faz parte do estudo desenvolvido pelo pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Sanepar, Cleverson Andreolli, apresentado ontem no 2º Seminário ''Água - Problemas e Soluções para o Século 21''. O evento é promovido pelo Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) em parceria com o Ministério Público Estadual, onde estão sendo debatidas as várias questões que envolvem a água, como abastecimento, preservação de mananciais, doenças de veiculação hídrica e privatização do setor de saneamento.
Andreolli vê a necessidade de uma urgente revisão do plano diretor de abastecimento da Grande Curitiba para que se iniciem políticas preservacionistas das futuras fontes de captação de água. ''Os mananciais não podem ser urbanizados. Eles precisam ser extremamente cuidados'', alertou.
Segundo o estudo, entre os anos 2010 e 2015 será necessário utilizar as bacias do Rio da Várzea e do Rio Açungui, que ficam 50 quilômetros distantes da Capital e em altitude mais baixa, tornando o custo de operação para transportar essa água bem mais caro. Depois disso, seria necessário partir para os rios Negro e Ribeira, distantes 100 quilômetros.
Os mananciais, explicou Andreolli, sofrem interferência tanto no meio urbano como no rural. ''A qualidade da água depende de como os demais componentes ambientais são utilizados'', avalia. Segundo ele, por conta da erosão, mais de 10 milhões de toneladas de solo vão para dentro dos rios todos os anos. Além de assoreá-los, com a terra são carregados nutrientes como fósforo e nitrogênio, que vão poluir a água e, por outro lado, enfraquecer o solo. Para a agricultura do Paraná, isso representa uma perda anual de cerca de U$ 242 milhões, já que é necessário repor esses nutrientes com o uso de fertilizantes químicos.
Já no meio urbano, a impermeabililzação das cidades faz com que o ciclo da água se encurte, além de provocar cheias e levar para os rios o lixo das ruas e galerias pluviais. Andreoli também destaca o problema dos esgotos domésticos, uma vez que, no Brasil, diariamente, 10 bilhões de litros de esgoto vão parar nos rios.
Para Andreolli, as limitações das fontes de financiamento para as empresas de saneamento também contribuem para o déficit do setor, que ultrapassa os R$ 40 milhões. ''Da mesma forma que hoje temos o apagão por falta de investimentos no setor energético, num curto prazo, as grandes cidades brasileiras vão sofrer com a falta d'água'', concluiu.
De acordo com Sérgio Luiz Cordoni, promotor do Meio Ambiente e um dos organizadores do seminário, as conclusões do seminário, que termina hoje, poderão servir de subsídio para estudos futuros.

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