Água passa por vertedouro em Caxias
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quinta-feira, 08 de outubro de 1998
Paulo Pegoraro 
As águas do Rio Iguaçu passaram no final da tarde de ontem da cota de 312 metros acima do nível do mar, e começaram a jorrar pelo vertedouro da barragem da hidrelétrica de Salto Caxias, cujo reservatório começou a ser formado na tarde de terça-feira (com o rio na cota 264). Técnicos da Copel acham que o prazo de enchimento, inicialmente previsto para 25 dias, seja reduzido em função do grande volume de água acumulado no reservatório e sua barragem, entre os municípios de Capitão Leônidas Marques e Nova Prata do Iguaçu.
Pelo acompanhamento feito ontem, foi possível observar que, em média, as águas subiram 40 centímetros por hora. Para que a hidrelétrica possa operar, é necessário que as águas atinjam a cota 325, quando estarão acumulados 3,5 bilhões de metros cúbicos na barragem, de 1.083 metros de comprimento e 76 metros de altura. Além dos aspectos técnicos da hidrologia, o visual vai mudando radicalmente na faixa do reservatório, que terá 132 quilômetros quadrados, somando-se a parte da própria calha natural do Iguaçu.
A face leste da barragem, onde as águas se acumulam, aos poucos vai ficando submersa. Na outra face, as águas correm em direção às Cataratas do Iguaçu, distantes 190 quilômetros. No segundo dia de enchimento do reservatório, as quedas dágua apresentavam vazão superior a 3 mil metros cúbicos por segundo, o dobro da média histórica para esta época do ano. Para esta vazão contribuem também cerca de 15 afluentes do Iguaçu localizados entre a barragem e as Cataratas.
Empresários do turismo de Foz do Iguaçu e da Argentina (que compartilha o Parque do Iguaçu) temiam que as gigantescas quedas dágua perdessem temporariamente a beleza visual, por causa do menor volume de água durante o enchimento do reservatório, o que representaria prejuízos comerciais pela redução do número de turistas. Algumas entidades ambientalistas especulavam que animais aquáticos pudessem estar ameaçados, com cardumes sendo sacrificados em pequenos poços que se formariam nas partes do leito do rio que emergeriam.
O gerente de Impactos Ambientais da Copel, engenheiro Antonio Fonseca dos Santos, relata que equipes da Copel permanecerão monitorando o trecho até as Cataratas durante todo o período do enchimento para resgatar peixes que fiquem presos nos poços. A pesca está proibida no trecho. Segundo Fonseca, o período de enchimento não resultará em efeitos diferentes do que a Natureza historicamente já fez, com reduções da vazão nas Cataratas.
A Copel também começa a deflagrar a operação de salvamento de animais (a maior até hoje feita pela companhia) na faixa a montante da barragem, mobilizando 80 pessoas, entre biólogos, veterinários, barqueiros, Polícia Florestal e Corpo de Bombeiros. Com barcos, carros e um helicóptero, eles acompanham animais em deslocamento das partes que vão sendo alagadas. Segundo o biólogo Sérgio Morato, devem ser encontradas muitas serpentes e poucos animais de pequeno porte, como felídeos, que serão transferidos para uma estação ecológica da própria companhia.
A hidrelétrica de Salto Caxias teve obras iniciadas em janeiro de 95. A primeira de suas quatro turbinas começará a operar em dezembro. A cada três meses, outra será colocada em funcionamento para que, ao final, esteja instalada uma capacidade de geração de 1.240 megawatts. O projeto global da usina tem custo de R$ 1 bilhão. Este é o último aproveitamento energético previsto para o Rio Iguaçu (1.320 quilômetros da nascente na Serra do Mar à foz, no Rio Paraná).


